quarta-feira, 20 de maio de 2009

MESA BOA



Bertold Brecht disse que um homem deve ter ao menos dois vicios, um só é demasiado. Concordo e vou além. Entendo que vicio é a outra metade da roda da virtude, pois ao concordar que todos precisamos ter vicios, eles não podem ser mal vistos. Encaro-os como fortuna. 

De um certo aspecto, vicios remetem a pecado, e como todo pecado é muito bom, de jeito nenhum vicio pode ser ruim. Dentre eles, a boa mesa está numa categoria de unanimidade.

Não vou nem de longe perambular pelas esferas da alta gastronomia, dos menus incrementados e muito menos dos pratos metidos a besta. Tenho sim certo dominio sobre essa parte mas ela não cabe aqui, no lado democrático da boa mesa.

Quem é que não gosta de uma roda de amigos num bar, petiscos de butiquim variados e uma bebidinha em cima da mesa?

Se tudo isso for emoldurado por uma boa música, nem intimista nem estridente, acústica, onde a gente pode cantar junto (baixinho, sempre) enquanto os aromas e sabores invadem nossos sentidos, a gente pode dizer que é a gloria. 

Pois o único lado lamentável dos afortunados vicios necessários ao ser humano é que, como tudo que é bom, é ilegal, imoral ou engorda.

Por isso que eu peço a Deus, existindo outra encarnação, que me faça voltar `a Terra como uma girafa. Imagina ter aquele pescoção todo para os meus vinhos - e as caipirinhas também - gastarem muito, muito, muito tempo para percorrer...

Cheers!

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