sexta-feira, 29 de maio de 2009

NO BAÚ DAS RECORDAÇÕES


No baú do tempo tem de tudo. E o tudo não é formado só de coisas ou situações ruins. Na verdade, apesar da dimensão e do efeito mais avassalador que coisas ruins exercem sobre as pessoas, no meu baú tem mais lembranças, memórias e fatos bons do que ruins.

Anyway, teve uma vez que fui designada para fazer um trabalho em São Paulo. Durante os últimos 14 anos da minha vida profissional, me designavam um trabalho e pronto, não existia um roteiro, um processo, uma lista, nada. Nem me passavam uma série de exigências, era meio que jogado no meu colo e eu conduzia como bem entendesse. 

Como a primeira coisa que faço em qualquer trabalho é estudar o público alvo, para São Paulo eu precisaria ser, dentre outras coisas, metódica, objetiva e muito segura do que estava fazendo. Eu trabalharia junto a um grupo extremamente rigoroso, protocolar, cheio de tradições e esquemas predefinidos para tudo. E fechado, muito fechado. E como se não bastasse, eu não conhecia ninguém.

Fui para lá 4 dias antes do acontecimento principal. Já saí de casa com um planejamento pronto e dois organogramas. Baseado em como eu queria o evento, fiz uma tabela com o que precisaria ser feito e outra tabela indicando tudo o que eu me oferecia para fazer. Imagina, eu não podia impor, exigir que eles fizessem nada, seria antiprofissional e grosseiro de minha parte mas também, dado `as características fechadas do grupo, impor a minha presença, sequer me meter onde eles não gostariam. 

Para minha surpresa, os coordenadores do trabalho receberam tudo isso muito bem. E tivemos uma forte identificação, imediata. Resultado: foram quatro dias de prévia muito bem aproveitados, com muita interação e aprendizado. Aprendi muito com eles e o melhor de tudo, conquistei sua confiança também.

Ao fim do evento, que por sinal foi um sucesso absoluto, isso já no sexto dia, um dos coordenadores me pediu uma cópia do meu planejamento. Disse-me que nunca tinham trabalhado com alguém que fosse de fora da organização deles e mesmo assim tão parecido com eles, com o cuidado que tive em cobrir todas as áreas possíveis e sem se intimidar ao ponto de oferecer ideias. 

Fiquei muito feliz, e me senti realizada. Ah, e fiz amigos, ali. O que no fim das contas, é o melhor de tudo.

Já passei por alguns perrengues, mas também já fui muito bem tratada em muitos lugares. Nada melhor do que um pouco de veneno para realçar o que o veludo tem de melhor.


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