sábado, 6 de junho de 2009

ATO I - O ESCAFANDRO


A obviedade não me atrai (o óbvio seria que a ilustração fosse de um escafandro). Mas não. A rocha, o paredão de pedra. Firme, seguro e tão certo quanto a morte, posto que não sai do lugar, sempre estará lá. Você pode sempre contar, ele estará lá.

Sim, também me representa, é uma fragmento, um aspecto, uma parte, só. `A primeira vista o mais óbvio e por isso não é a rocha que lhes apresento. É visível e de fácil reconhecimento. 

Um paredão de rocha é um obstáculo. Para aqueles que, por falta de vontade ou de necessidade, não ultrapassam. Convenhamos, é difícil ultrapassá-lo. É preciso escalar, e para isso há que se ter talento, disposição, espírito de aventura, força  e equilíbrio físico e mental para superar o desafio. E coragem. Portanto, não é para principiantes.

A rocha oferece resistência e proteção para quem precisa ficar oculto, escondido, nas adversidades, nos problemas. A rocha está sempre ali, pronta a oferecer resistência aos inconvenientes. Oferece a conveniência de deixar quem precisa, na sombra. Há quem seja só como a rocha. Ótimo. Não é o meu caso. É só uma parte de mim.

- Prazer, Escafandro. E a sua graça, qual é?

Quando a sombra, a barreira, a proteção não se aplicam, é pressão. Eu mergulho junto, sempre o número 2, aquele que não deixa jamais o protagonista sozinho enfrentando o perigo. É regra, não se mergulha sozinho. Minha couraça é como o escafandro. Vou no mais profundo, mais fundo do que o outro.  Quanto maior a pressão, tanto melhor eu funciono.

Meu fôlego é interminável, fico submersa tanto quanto necessário. Lá, na profundeza do abismo, no oceano, consigo me multiplicar em cinco. Minhas pernas, fortes. Movimentam-se e impulsionam-me para de braços erguidos para o alto, auxiliar o outro a emergir. Uma vez na superfície, aí é a rocha. O paredão. O obstáculo. A proteção. A certeza.

A sombra.

2 comentários:

  1. Quanta veneno destilado em não tão pequenas doses. Quanta falta da maciez de seus veludos. Você pisou na bola e não quer admitir. Pois isso seria demais para o seu ego inflado.

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  2. Seu comentário ficará aqui como exemplo, afinal qualquer coisa na vida sempre serve para alguma coisa.

    Você me deu uma ideia sensacional. Vou escrever sobre teoria literaria e indicar alguns livros para principiantes. Talvez, se algum dia esse blog tiver alguma audiência, um ou outro possa ler e não saber como é que se faz esse tipo de exercício literário.

    Muito obrigada por sua participação, vai me ajudar a ajudar aos não iniciados.

    E obrigada também por você ajudar a inflar meu ego, já que gastou seu tempo me visitando - e comentando.

    Volte sempre. Em breve publicarei dicas para você e para outros que ainda não tiveram contato com as técnicas básicas da redação.

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