quinta-feira, 18 de junho de 2009

CARTILHA COM PREMISSAS BÁSICAS PARA JOSÉ SARNEY



A crise moral, política e institucional em que encontra-se mergulhado o Senado Federal e a total falta de vontade por parte de seu dirigente maior de tirá-lo desse abismo, merece e carece de um beabá de cartilha de alfabetização para sua excelência, o senador José Sarney. Se por seu modo ultrapassado de perpetuar seus vícios políticos nunca lhe abriram a mente para o que seja um mandato representativo, urge que alguém faça. Basta sentá-lo numa carteira e diante da lousa, explicar-lhe didaticamente, em liguagem de jardim de infância, algumas noções básicas. Então, vejamos:


O mandato representativo (os cargos eletivos para os poderes legislativos: vereadores, deputados estaduais e federais e senadores) dispõe de premissas que dão a ele um quê de previsibilidade. Uma dessas premissas consiste no objetivo do trabalho do representante político: a reeleição ( ou eleição para outros cargos). Trata-se da continuidade de sua vida pública, de sua vida política.


Toda e qualquer atividade parlamentar é dirigida pelas premissas em geral e pelo seu objetivo em particular. Para atingi-lo a atividade representativa se dá através de:

1.Publicidade: aparecer de maneira positiva, favorável, normalmente evitando questões polêmicas é a forma de ter visibilidade para garantir a reeleição. Aqui entram as suas equipes de comunicação, de marketing e todos os meios necessários para garantir essa visibilidade.

2.Busca de crédito: é necessário passar para a população que o parlamentar tem credibilidade. Forma-se entre os eleitores a ideia de que essa pessoa que quer o seu voto é imprescindível para a sua vida, para os objetivos que o eleitor ou um grupo de eleitores almeja. Realizada alguma ação nesse sentido, o parlamentar tenta provar à opinião pública que sem a intervenção dele fato/ação não teria acontecido - é a fatura, onde o eleito recebe o crédito por algo que tenha feito.

Chega-se ao ponto crucial: a busca pelo reconhecimento. A credibilidade pressupõe que a ação precisa ser propagandeada COM A VERDADE. Por algum tempo, uma estratégia arriscada de propagandear uma inverdade pode funcionar. Mas hoje em dia, esse tempo vai diminuindo consideravelmente.

Vê-se credibilidade no Parlamento Brasileiro recentemente? A cada enxadada, uma minhoca (ou como diz um frasista amigo, Hugo-A-Go-Go, a cada F5, um escândalo). E para piorar, a cada aparição, justamente do presidente do Parlamento, senador José Sarney, a figura física que deveria zelar pelo cumprimento das premissas do mandato além das obrigações constitucionais, a sensação que fica é que a credibilidade está cada vez mais distante, perdida em algum vácuo de décadas de benesses pessoais e favorecimentos secretos.

Voltando às premissas, após a ação e a divulgação da ação o detentor do mandato representativo vê-se diante de mais uma, do mesmo modo essencial:

3.A tomada de posição: é o anúncio público de seu julgamento ou realização a favor de seus eleitores. O parlamentar precisa assumir publicamente que tomou determinada posição porque acredita que é do extremo interesse de seu eleitorado e que ele próprio acredita naquela sua opção.

Outra vez o experiente (leia-se jurássico, atrasado, antiquado) senador José Sarney, presidente do Senado e do Congresso Nacional, ignora mais uma premissa da representatividade. Ele não tomou posição em nome da instituição, sequer tomou posição em seu próprio nome - uma vez que foi diretamente para o olho do furacão dos escândalos, e não só uma, mas várias vezes. Rolo com recebimento de auxílio-moradia sem usar sequer o apartamento funcional designado a ele e emprestado a outro de sua corriola, contratação de parentada a altos salários para funções-fantasma, contratação a título de pensão-cala-te-boca para uma das amantes de um dos filhos, justamente o braço empresarial da famiglia, Fernando Sarney, que verte dinheiro pelos poros, conivência e outras coisinhas mais escandalosas com os seus diretores de confiança para execução de contratos de natureza duvidosa. E isso ainda diz pouco. Muito pouco do que é feito de escuso e espúrio naquela Casa de Leis, sob suas vistas e claro, sob seu interesse pessoal.

Pois nada disso mereceu uma tomada de posição do excelência Sarney. Revestido de sua empáfia de sempre, mesmo sendo um arremedo de imortal que deveria envergonhar a Academia Brasileira de Letras por aceitá-lo entre seus pares, surge na tribuna, faz um discurso tosco, covarde, medíocre, tatibitate, infantil e quase debilóide. Uma vergonha em rede nacional. Não sei, não sabia, não tenho culpa, não é comigo, o problema não é meu, é do Senado. Ou seja, não me interessa e farei de tudo para empurrar com a barriga e o bigode, para o esquecimento. E que tudo volte a ser como dantes no quartel de abrantes, debaixo do carpete azul que reveste o chão que me sustenta. Este sou eu, Sarney, um covarde.

Para não ofuscar o eco do imenso vazio que essa figura patética (e caquética) da política nacional com um mandato representativo que não honra nem jamais honrará, este texto encerra-se aqui. Que reverbere apenas a inutilidade da falta de credibilidade e de coragem de um homem que, se existe juízo no eleitorado, não receberá nunca mais a paga de seu objetivo: uma nova reeleição.

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