sábado, 25 de setembro de 2010

O OLHAR, A NÉVOA E O ENCONTRO


Segundo Jorge Luis Borges, todas as coisas no mundo conduzem a um encontro ou a um livro.  Para ambos, nem arrisco, simplesmente afirmo: é preciso olhar. É preciso precisar do olhar.

Olhar, simplesmente olhar, mostra caminho, luz, rumo, local, espaço. Olhar, olhar de verdade, olhar com verdade, indica outra coisa. Inclusive, tudo.

Tem quem olha e nunca vê. Tem quem simplesmente não vê, olhando ou não.
Tem quem nunca olha. E vê. Mesmo sem saber se de fato vê ou se imagina. É aí, é neste ponto, que o olhar conduz ao encontro (como a um livro, talvez). 

Sim, é possível descobrir outros olhos, sem nunca tê-los visto. Sem sequer o encontro do olhar. É possível (re)conhecer que os olhos são pontos discretos no rosto. Discretos, pois ali reinam a testa e as maçãs, que se destacam mais.  São discretos para que observem mais do que são observados.

Olhos que quando olham, o fazem direta e francamente. Sem meio olhar. Sem meias palavras, meias verdades, meios encontros. Sem meias escritas - nem meio livro. Sem meia vida. 

Olhos assim, só combinam se forem castanhos. De médio para claros. Olhos (e olhar) que escondem uma névoa ao fundo, que poucos observam. A maioria, intimidada pela franqueza, perde a chance de observar. Perde a chance de encontrar. E de ler.

Olhos contam muito. Esqueçam o brilho, isso é bobagem, típica de quem nunca olhou nos olhos de gente de verdade. Quem conta a história da vida daqueles olhos, densos, tensos, intensos, tesos, é a névoa.  Quem a carrega nos olhos não gosta de abrir a janela. Para quase ninguém. Nem precisa. Não são todos que encontram, na sombra e na névoa, o encontro. Menos ainda, muito menos ainda, que encontram a leitura, o livro. Deixa isso só para quem re(conhece).

É aí que entra o sorriso. Que ilumina o rosto, no lugar dos olhos.  Deixa os olhos para iluminar apenas o encontro. O livro. E a história. Quando tiverem que acontecer. 

Senão, deixa virar história. E um livro. Sem o encontro.

Eu olho.

14 comentários:

  1. Lindo!

    Souquemsou2

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  2. Sou,
    Você sabe bem o que é isso. Desconfio...
    Beijoca.

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  3. marcia190725/09/10, 16:30

    uau! muito meigo!
    e ainda bem q meus olhos são castanhos claros
    bejim

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  4. E tem quem não veja graça em olhos castanhos, Marcinha...

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  5. Nada mais belo e sincero que o sorriso do olhar.
    Lindo!!!
    Beijos,

    WELBI MAIA

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  6. Decifre a névoa de um olhar, Welbi. É bonita, também. Pode-se até deixar o sorriso só para os lábios.
    Volte sempre!

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  7. BSchopenhauer25/09/10, 17:37

    Eu "zóio"!

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  8. Querida Rê

    Obrigado por mais este presente.

    O Olho no Olho nos proporciona penetrar e conhecer a essência do outro.
    Olhar-se no Espelho é penetrar e entender os sentimentos que correm em nossas entranhas.
    Olhar de Verdade é dividir o amor que circula em nossa alma.

    Bjs
    Marisa

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  9. Amiga, obrigado.
    Belo texto, intenso, bem escrito, pungente.
    É verdade, a névoa tem o seu brilho próprio.
    Ela nos marca com um misto de incerteza, devaneio, solidão. Ela nos marca com seus mistérios, como a nos lembrar que certas fronteiras são incertas, fugidias.
    Mas com ela vem a vontade de buscar maior nitidez.
    É como se (re)ajustássemos nossas lentes para um novo padrão.
    Novas lentes, novos óculos, novos significados ... sim, um novo olhar.

    Gostei, beijos.

    Alberto Villar

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  10. As pessoas são completas, Alberto. Não podemos gostar apenas de uma parte. Ninguém brilha o tempo inteiro. Há névoas. Você tem toda razão. Névoa tem brilho próprio. E nossos olhos precisam do exercício, do ajuste, para focar bem.

    Obrigada. Volte e comente sempre.

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  11. Olá, Velvet.
    Interessante mensagem. Não resisti... Então, resolvi comentar.
    Por hora, atenho-me à névoa. Como disse, ela "tem brilho próprio". É verdade! E talvez por isso, quem com ela vê, não vê, não lê e não entende. Seja a si, seja a outros. Primeiro porque esse "filtro" é trapaceiro e nunca nos deixa ver o que de fato vemos - e vemos o que queremos ver ou supomos que vemos. E segundo porque, brilho clareia, ilumina e "rompe distorções", mas brilho demais cega. Tal àquele que nunca viu, com ou sem névoa.

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  12. Oi Rafael,
    Inevitável que tenhamos, senão sempre - abrigada lá no fundo do olhar - em algum momento, um pouco de névoa. O segredo seria abrir de mão de olhar pela névoa, mas apenas, saber reconhecê-la, se a vermos, em outros olhos. E saber que aquela névoa faz parte da história que torna aquela pessoa, única.

    Obrigada pela visita. Volte e comente sempre.

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  13. Muito bonito! E o fecho é maravilhoso. Parabéns, #mineirinha.

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  14. Um fecho pé no chão, Carlos Alberto: com ou sem encontro, tudo é, no fim, apenas história...

    Obrigada pela visita. Volte e comente sempre.

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