quarta-feira, 17 de novembro de 2010

CAI A NOITE

Se és capaz de manter tua calma, quando,
todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa.


Se és capaz de esperar sem te desesperares,

ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
e não parecer bom demais, nem pretensioso.

Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires,
de sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,
tratar da mesma forma a esses dois impostores.

De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
a dar seja o que for que neles ainda existe.
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,
e, entre Reis, não perder a naturalidade.
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
se a todos podes ser de alguma utilidade.

Se és capaz de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo valor e brilho.
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
e - o que ainda é muito mais - és um Homem, meu filho!
(Rudyard Kipling)

2 comentários:

  1. Jota, da asa norte17/11/10, 22:05

    De faca não...é covardia!
    Meu pai me deu esse poema quando fiz 14. Já lá se vão 36. E meu velho também foi. Quanta saudade, meu Deus!
    Então, ficamos combinados assim Veludo com Pimenta: na próxima você avisa antes que vem bomba, ok?
    Lágrimas não são problema.
    Problema é a saudade...

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  2. Jota, pode se preparar para amanhã. Saudades do meu pai!

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