quinta-feira, 25 de novembro de 2010

CANALHICES



Para reconhecer um canalha facilmente, é preciso passar pelas experiências da canalhice. Não é preciso, no entanto, ser canalha para isso. Mas não se pode ter pudores em misturar-se a eles, observar como vivem, às custas do quê e de quem eles vivem, fazendo-se sabe-se lá o quê, enfim. Com o passar do tempo, aprende-se a distinguir um canalha em meio a multidão apenas por ele ter feito um gesto.

Como viver é aprender e ainda não morri, continuo aprendendo: canalha também se reconhece pela inação. E já era para sabermos disso, pois o canalha-mor nunca antes visto na história destepaíz é exatamente desse tipo.

Pra fazer as únicas coisas que gosta, tem um monte de canalhinhas com a mão na massa enquanto ele fica apenas com a canalhice de aparecer - e falar muita besteira. (Veja o que disse Dora Krammer, sobre isso, hoje, no Estadão)

E como se ainda fosse pouco, tem ainda aquele canalha que está aonde nossa vista alcança. O nosso canalha pessoal. Todo mundo deve ter um. Se acha que não, só não percebeu ainda. Nélson Rodrigues, mestre, afirmou que brasileiro quando não é canalha de véspera, é no dia seguinte.

Pois o canalha do dia seguinte certamente é o canalha da omissão.

Vai dizer, agora, que já não reconhece alguém?

2 comentários:

  1. Noventa e cinco e contando...

    ResponderEliminar
  2. Les uns et les autres. A canalhada e o povo queimado nas ruas.

    ResponderEliminar