terça-feira, 16 de novembro de 2010

HOMENS AUTO-IGNORANTES


Máxima do racionalismo cartesiano, o bom senso, ou a razão, é a coisa mais equanimemente dividida no mundo, pois cada um se julga tão bem dotado dele que ainda os mais difíceis de serem satisfeitos noutras coisas não costumam querê-lo mais do que têm.

Pois, na minha máxima discernível compreensão, não o bom senso, ou a razão, mas a ignorância é a abjeta característica mais bem distribuída entre os homens, porquanto a ninguém é dado possuir menos ou mais do que tem. Malgrado os homens, comumente, irresignam-se perante o seu próprio conteúdo de ignorância e, com efeito, persigam, ordinariamente, o seu excremento incremental, individual ou coletivamente.

Nisso, a busca insatisfeita da ignorância individual ou coletivamente, os homens revelam toda sua extrema capacidade realizadora. Em nenhuma outra atividade humana, essa aptidão se mostra tão ampla, profunda e difusamente.

É paradoxal, enfim, mas real: os homens, racionalmente, perseguem a auto-ignorância. (BSchopenhauer)

*Ilustração: O Andarilho, de Hieronymus Bosch

5 comentários:

  1. Permita-me discordar, cara Velvet.
    É sabido por todos que a ignorância juramentada há muito passou a ser propriedade do PT.

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  2. Ah, a ignorância juramentada é monopólio lulopetralha, tem razão.

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  3. Ignorância, não é desculpas por mau caratismo explícito, atitudes arrogantes, intolerância e perseguição aos contrários, devido à mesma.

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  4. Ignorância, não é desculpas por mau caratismo explícito, atitudes arrogantes, intolerância e perseguição aos contrários, devido à mesma.

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