quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

DE VERBAS PÚBLICAS E MOTÉIS


Não cairei na tentação fácil de afirmar que o "trato à coisa pública" nestepaiz é uma.... vocês sabem o quê. Até é. E de metáfora, agora, ganha o noticiário com pompa e circunstância, como fato.

Não bastasse o futuro ministro do Turismo (oi?) da República Popular do Chiqueiro, deputado Pedro Novais (PMDB/MA), ter apresentado, para ressarcimento, uma nota fiscal de uma farra num motel de São Luís, eis que surge a notícia de que a deputada Cida Diogo (PT/RJ) apresentou 19 (DEZENOVE) notas para ressarcimento de despesas de hospedadem.... de um motel do Rio de Janeiro!

Pedro Novais, ao ser questionado, saiu-se com um clássico infantil: "foi um erro". Cida Diogo, mais esperta que ele, justificou o pedido de ressarcimento com um clássico "não fui eu". Um tiquinho de esperteza a mais. Alegou que o tal quarto era usado por seu motorista, quando ela ia para o Rio de Janeiro.

Pois bem. Para checar essa história - improvável, mas não impossível - basta conferir:

1. Quantos motoristas a deputada Cida Diogo tem? Normalmente, parlamentares tem dois, um em Brasília, outro em seu estado.  

2. De onde é o motorista? Rio ou Brasília? Se for do Rio de Janeiro, então não tem direito ao ressarcimento. Despesas só podem ser ressarcidas quando o parlamentar (ou seu funcionário) estiver, a serviço, fora de seu domicílio. Isso desmonta uma das possibilidades e torna o ressarcimento irregular, ilegal. 

3. Se o motorista for de Brasília, então basta checar se ele viajou, nas datas referentes à emissão das notas fiscais, para o Rio. Se foi de avião, para dirigir para a deputada lá no Rio, é só checar as despesas com passagem aérea. É fácil. Se ele foi de carro - o que é improvável e muito, muito inverossímel -  então, a deputada também apresentou recibos de abastecimento, nas mesmas datas, em postos da BR 040, rodovia que liga Brasília ao Rio de Janeiro. Sem contar os pedágios (são duas praças, talvez três, se não me falha a memória). Despesas com pedágio também são ressarcidas.

Viu como não é difícil checar? Dona Cida Diogo, melhor que a senhora tenha tudo isso em mãos... ou vai ter que apresentar outra desculpa. Ah, chorar, como quando o finado Clodovil constatou o óbvio, não vale...


(P.S.: se o motorista foi de Brasília para o Rio, então ele não pode ter assinado o ponto - frequência - nos dias em que ficou fora, provavelmente, de quinta à terça-feira. Dá pra checar isso também).

2 comentários:

  1. marcia190722/12/10, 20:19

    a cida diogo é de volta redonda e lá há muitos hotéis. pq então o motorista ficaria num motel?
    a verdade é que infelizmente os parlamentares já nem fingem respeitar a nossa inteligência...c

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  2. Eu defendo o direito ao Vale-Motel, para os parlamentares e seus assessores diretos. Até 50.000 mensais tá tudo normal, tudo na paz.
    Defendo também 80 chibatadas no lombo de surubeiros maiores de 80 anos.
    Abraço.

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