quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

BRASILEIRO CORDIAL



Segundo uma música, o Brasil é um "país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza”. Talvez, seja a síntese destepaiz, para o bem e para o mal.

De tal forma, os brasileiros parecem acreditar que são o povo escolhido por Deus, que, por mais que se esforcem para se destruírem, não conseguem, porque sempre “Ele dará um jeito”, e se não intervier, o seu representante, aqui, “o governo” dará um jeito.

Com efeito, os brasileiros deixam-se, de tal forma, acostumar e anestesiar diante das tragédias silenciosas, que colhem e matam indivíduos, ordinariamente, sem estardalhaço, sem mobilizar a imprensa, as massas, os governos: sistema único de saúde (SUS) que não assegura o direito a saúde; segurança pública insegura; educação que analfabetiza, trânsito que leva ao cemitério etc. 

Porque estão absortos, ensimesmados, acostumados, anestesiados por essas tragédias silenciosas, diuturnas, os brasileiros não as enfrentam, ou, resignadamente, admitem-nas com dados da natureza, “porque sempre foi assim”, malgrado contraditoriamente “à tropicalidade, à benção, à boniteza”, dadas pelo Criador. Destarte, eles não cobram nem responsabilizam os governos incapazes, omissos, pusilânimes, incompetentes, imorais.  

Defrontados, no entanto, com tragédias espetaculares, que, num só ato, colhem vítimas aos borbotões, como a que hoje assistimos em vários estados, em especial na Região Serrana do Rio de Janeiro, os brasileiros são acometidos pela consternação individual e coletiva, forja-se, enfim, a solidariedade independente dos governos. Pessoas se mobilizam, voluntariam-se para socorrer as vítimas, encontrar os mortos, velar, enterrar. Revela-se a cordialidade pura. Mas logo passa. E todos voltam a esperar as bênçãos divinas ou, senão, que os governos cumpram os que lhes é obrigatório.

Enfim, solapados por tragédias espetaculares, os brasileiros deveriam descobrir o que fazem por si mesmos e exigir dos governos que, não só nestas ocasiões extraordinárias, mas diuturnamente, cumpram o que lhes é mandado pelas leis e prometido durante as eleições.


(Leia aqui: QUANDO O DESGOVERNO FAZ DO CÂNCER UMA BRINCADEIRA)


(Nota da Velvet.1: o espaço para comentários é seu microfone. Seus dedos, a sua voz. Grite. Registre a indignação. A web é a nossa #trilha.)


(Nota da Velvet.2: Leia no blog Tribo dos Manós: TRAGÉDIAS E PROMESSAS e leia no blog Esculacho e Simpatia: A DESGRAÇA ANUNCIADA. #trilha da indignação!)

10 comentários:

  1. O Estado do Rio de Janeiro vem recebendo royltyesda exploração do petróleo. Onde foi parar esse dinheiro. As imagens de ontem/hoje, são idênticas às do ano passado. Não cabe processo criminal contra as autoridades? Cadê o M.P., - o fiscal da lei

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  2. O governo brasileiro deveria levar a marca ACME, aquela mesmo dos desenhos animados do Coyote e Beep-Beep. Se Lula fosse empresário certamente teria o registro de marcas e patentes do INPI de LULA ACME "A Company that Makes Everything" Ltda. Da qual Sérgio Cabral é seu “representante” de filial no estado do Rio de Janeiro.

    Os produtos ACME geralmente falham. A atividade da companhia nunca é definida, mas ela aparece como um conglomerado podendo fabricar não importa qual produto, e oferecer não importa qual serviço imaginável, e pouco importando a extravagância ou sua inutilidade.

    Os sofredores dessas tragédias são os próprios eleitores de Dilma e Cabral.

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  3. É bem isso mesmo. Eu só completo com o seguinte: a solidariedade latente nessas tragédias não é só pela "cordialidade", mas pela certeza da capacidade do governo de prestar assistÊncia imediata às suas vítimas.

    O Brasil é o país da cascata: impostos em cascata, corrupção em cascata, e, agora, vítimas em cascata.

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  4. A.Coutinho (araguaiacombr)13/01/11, 12:08

    Tragédia é tragédia... tá aí, pronto. Brasileiro é apático, manso, resignado, acomodado... mais algum epiteto? Governantes tem mais em que pensar... em seus próprios aumentos salariais, feitos na surdina das horas mortas e com uma rapidez de espantar Mirage francês. Pra isso sobram recursos (públicos!). Calamidades? A solidariedade popular resolve o problema... é só veicular campanha na TV que os $$$ aparecem (e ainda sobram algum para eles torrarem!). É um país do faz-de-conta. E nós somos os grandes culpados. Não há como se esquivar disso. Parabéns pelo texto!

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  5. Quanto mais solidários, tanto mais indignados para cobrar responsabilidade dos governos, é a relação que deveríamos ter. Não cobramos, sequer, nas urnas, posto que mais dos mesmos seguem sendo eleitos!

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  6. Parabéns pelo texto !

    O povo brasileiro , ainda continua atado ao servilismo da colonização . Não conseguiram romper os grilhões que mantem preso sua cidadania e liberdade de escolha , pela incapacidade de politizar-se .

    Lamentavelmente a cordialidade parece obedecer a uma ordem recebida e la vai o povo prestar e render condolências aos seus irmãos de Pátria , diante da incompetência dos nossos governantes. O grito de revolta está adormecido pelos anos de escravidão servil e é muito mais fácil clamar aos céus que lhes valham em momentos trágicos do que cobrar com veemência o que lhes é negado !

    Triste país é este , cujo povo ainda não descobriu para que servem os Poderes constituidos ou para que servem os protestos e onde estes realmente surtem efeitos , ou seja , nas urnas eleitorais !

    Mais uma tragédia anunciada ; mais politiqueiros se valendo da vida ceifada de suas vítimas para promoção individual e logo mais, se nada for feito , repetir-se-á ainda por muitos anos !

    Indignada com tudo ! Acorda Brail e reaja !!!

    @Edna_stos

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  7. marcia190713/01/11, 16:45

    ai se junta a passividade do povo com a "esperteza" dos políticos e a paternelização da justiça e temos a boa mistura para se criar tragédias.
    um exemplo há dois anos técnicos da defesa civil do estado determinaram a retirada de uma comunidade a beira do rio são bernardo em Itaipava.
    ongs entraram na justiça e o juiz não só determinou a não retirada da comunidade como também processou os técnicos por abuso de autoridade.
    a comunidade em questão foi varrida pelas chuvas destes últimos dias...
    tomara que os jornais descubram o nome deste juiz e o entrevistem... alguém

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  8. O texto é exato e os comentários o completam harmoniosamente.
    O solo urbano é, constitucionalmente, responsabilidade do município, o ente mais próximo ao cidadão, que deveria - até por isso - gritar nos ouvidos do prefeito para impedir o crime de perigo, configurado quando este permite, por ação ou omissão, a ocupação desordenada do solo, principalmente as encostas. Alguém perguntou se o MP não poderia mover ação de responsabilidade. Mais que pode, deve! Os governos do estado e a União não podem ser responsabilizados civil e criminalmente (cabíveis ao município e ao prefeito, respectivamente), mas politicamente têm suas responsabilidades quando não incentivam a legalidade ou não transferem, suficientemente e em tempo razoável, recursos sob suas gestões para reversão do caótico quadro.
    Agora é o momento de o povo cuidar de si, solidariamente como sempre; das bravas forças públicas de devesa civil agirem na anunciada tragédia; dos chefes executivos culparem seus antecessores (exceto Dilma) e prometerem recursos a rodo.
    Somos todos culpados, mas somente alguns terão sido cobrados.

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  9. Só me resta gritar de ódio pelo descaso desses anormais com o povo que os elegeu. Ano passado, Angra. Agora, a serra. Ano que vem, quem serão os desgraçados?

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  10. VIVA DILMA! Ontem na tv, JN, ela disse a mais pura verdade: "não é culpa do Governo Estadual nem dos municípios. A responsabilidade pela tragédia é do Governo Federal". Pura verdade: a culpa é de papai!

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