domingo, 23 de janeiro de 2011

CAI A NOITE



Caso você queira posso passar seu terno, 
aquele que você não usa por estar amarrotado.
Costuro as suas meias para o longo inverno...
Use capa de chuva, não quero ter você molhado.
Se de noite fizer aquele tão esperado frio 

poderei cobrir-lhe com o meu corpo inteiro.
E verás como a minha pele de algodão macio, agora quente, 

será fresca quando janeiro.
Nos meses de outono eu varro a sua varanda, 

para deitarmos debaixo de todos os planetas.
O meu cheiro te acolherá com toques de lavanda - 
em mim há outras mulheres e algumas ninfetas
Depois olantarei para ti margaridas da primavera 

e aí no meu corpo somente você e leves vestidos, 
para serem tirados pelo total desejo de quimera.
Os meus desejos irei ver nos teus olhos refletidos.
Mas quando for a hora de me calar e ir embora
sei que, sofrendo, deixarei você longe de mim.
Não me envergonharia de pedir ao seu amor esmola,
mas não quero que o meu verão resseque o seu jardim.
(Nem vou deixar - mesmo querendo - nenhuma fotografia.
Só o frio, os planetas, as ninfetas e toda a minha poesia)
Fernanda Young

4 comentários:

  1. Quem me dera eu tivesse os ternos dele para passar.
    Quem me dera ele ainda estivesse aqui neste mundo.

    ResponderEliminar
  2. Que linda poesia! Entrega total!
    Mto linda!

    ResponderEliminar
  3. Elaine... esse é um outro sentido. Dorido... A saudade vai mudando com o tempo. E vai dando significados diferentes para a dor. E nós vamos aprendendo a conviver com elas, em suas formas diversas. Beijo!

    ResponderEliminar
  4. uqu! que nossos papos loucos no tt lhe inspirem cada vez mais...
    sacar fernanda young num cair da noite é bom demais da conta

    ResponderEliminar