domingo, 9 de janeiro de 2011

DESTOTALITARISMO TOTAL

A possibilidade de nos compreender, as nossas circunstâncias, o mundo em que vivemos pressupõe as nossas experiências e domínio de saberes de variadas naturezas.

Orwell, 1984, descreve o totalitarismo estatal a partir de idéias como o duplipensar, a capacidade de, simultaneamente, internalizar um ente e o seu contrário: o certo é errado, o mora é imoral, a virtude é vício etc.; e a novilíngua, a língua que substitui a tradicional, para suprimir o pensamento e, afinal, do próprio ente pensado.

Contemporaneamente a Orwell, Gramsci, Cadernos do Cárcere, enuncia e faz proselitismo do totalitarismo do moderno príncipe (o partido), fundamentado como imperativo categórico: o certo e o errado, o moral e o imoral, a virtude e o vício etc. estabelecem-se desde a essência do partido.

Fortes nas idéias expostas por esses dois escritores, pode-se compreender melhor a quadra destepaiz, neste marco atemporal. Aqui, o moderno príncipe (o PT), contando, inclusive, com a genuflexão voluntária das forças que lhe deveriam ser contrapostas, estabelece-se como o imperativo categórico, definindo o certo, o moral e o imoral, a virtude e o vício, desde si, para si, por si.

Um dos métodos que esse moderno príncipe utiliza para executar seu desiderato é monopolizar a novilíngua e, através dela, criar novos sentidos para a língua tradicional, modificar o seu sentido, suprimi-lo; fazendo, com efeito, internalizar no indivíduo, na sociedade, no estado o duplipensamento: relacionam-se, inconsciente e voluntariamente, com base no que é certo ou errado, moral ou imoral, virtuoso ou vicioso etc., exclusivamente para o partido.

Nesta última semana, com a posse do desgoverno da Idade das Trevas III, estepaiz teve ocasião de experimentar os efeitos deste método, um exemplo do que sói: a presidente, no seu discurso de posse, em regra, criou, modificou ou suprimiu os sentidos tradicionais do certo, do moral, do virtuoso... à medida que atribuiu-os a todos os atos dos precedentes desgovernos da Idade das Trevas I e II; enquanto,  simultaneamente, excluiu-os, por completo, dos governos  antecessores mediatos.

E, assim, o indivíduo, a sociedade e o estado são prisioneiros, inconscientes voluntários, do certo e do errado, do moral e do imoral, do virtuoso e do vicioso etc. do ente destotalitário total. 


     
Ilustração: A Família, de Tarsila do Amaral

6 comentários:

  1. É o método,matriz da Idade das Trevas.
    Curioso é que a Utopia ruiu justo na URSS e onde ainda sobrevive,o povo quer mais é cair fora.

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  2. Só o pensar pode nos tornar livres do cárcere dessa novilíngua. Enquanto formos cativos do politicamente correto, não seremos O. Seremos apenas UM, na coletividade imbecil.

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  3. Que texto perfeito! Parabéns. O Brasil se transformou, nas trevas I e II, em uma república ou sofismaticamente surrealística ou surrealisticamente sofismática. A ordem é a desordem. O certo é o errado. Pelos cálculos petistas, e parece que vai acontecer, 20 anos serão suficientes para que se forme uma geração de mente lavada e instruida nessa nova ordem. Como corolário teremos que ser desonesto é o moto condutor associado à mentira e, veja bem, necessariamente, servirá como patamar para que o ego se sobreponha como mecanismo de dominação. Alguem tem de acordar a tempo..

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  4. marcia190709/01/11, 18:21

    bom cabe aos brasileiros de bom-senso e verdadeiramente democráticos fazer com o bschopenhauer e continua a denunciar isto

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  5. A história da retirada do crucifixo do gabinete presidencial exemplifica bem o efeito do monopólio da novilíngua pelo moderno príncipe.

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  6. Mercia Maria Almeida Neves10/01/11, 00:55

    Eu nunca votei no Principe, aliás eles nem existem,mas o polvo quis se iludir, nunca fiz parte dessa corja nem mesmo,cri em nenhum momento que a Prsidenta havia se convertido a nenhuma instituição religiosa,ao contrário ela usou s eu bel prazer a boa fé deles...
    A mim não causou nenhuma surprêsa, afinal logo nos seus 25m de 'discurso' ela não clamou, não agradeceu, por nenhum Deus, a não ser os deuses que a segem e vice-versa,e até então, ela, copiosamente fazia o contrário.
    Eu como cristã, sinto pelos cristãos, mas pagar o preço dos seus erros é um 'castigo Dvino'.
    Porém tem àquela história: a Justiça de DEUS pode tardar mas não falha...aguardaremos os católicos, cristãos, em próximas eleições.
    É a parábola do bom semaedaor.

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