quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

CAI A NOITE


Eu vou, mas volto. 
Volto como sempre,
e como sempre, nada volta a ser como antes.
Posso ficar, para que nada mude, 
mas não é que eu não quero.
É que eu não preciso.
Posso sofrer alguma perda no processo,
e adquirir alguma fortuna.
Posso trazer algo de novo, impulsionada 
pelo incrivelmente bom, nas descobertas.
Novos sentidos para os mesmos de sempre.
Ouvir diferente a mesma voz,
ver profundamente o olhar conhecido, 
Degustar com prazer exacerbado
os seus sabores. Todos os sabores.
Sentir naquele cheiro de sempre,
a mesma nova fragrância. 
Perceber de novo, pelo tempo, 
que não houve distância.
Suavizar o tato, o sentido do arrepio
com novos intensos arrepios, sempre sentidos.
E por voltar, nada volta a ser como sempre foi.
Nem repetindo, tudo de volta, se repete.
Quem te disse que ir não é bom?
Quem te disse que voltar é resistir?
Quem te disse que render-se não é se descobrir?
Voltar, como sempre, por poder partir 
sem sair do lugar.
Não é que eu preciso ir.
É só, que eu quero.
Para voltar.

1 comentário:

  1. Só a sensibilidade e o talento daquele que tem a imaginação inspirada ou é um ser iluminado podem reunir palavras comuns num arranjo fascinante, mágico, melodioso.
    Para a poesia é preciso dom, sentimento, emoção e um querer mais que um simples desejar. Assim também o é para o amor.
    Quantos no mundo, senão o poeta ou aquele que ama verdadeiramente, podem ver e fazer ver "Novos sentidos para os mesmos de sempre"? Ou, ainda, "Sentir naquele cheiro de sempre, a mesma nova
    fragrância"?


    Parabéns!!
    É maravilhoso iniciar o dia com palavras tão belas, tão cheias de significados e que expressam exatamente aquilo que vai na alma de muitos de nós.

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