quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

CAI A NOITE



"A maior riqueza do homem
é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como
sou - eu não aceito.
Não agüento ser apenas um
sujeito que abre
portas, que puxa válvulas,
que olha o relógio, que
compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora,
que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem
usando borboletas."

(Manoel de Barros)

6 comentários:

  1. Manoel de Barros descreveu gente como eu na poesia. Sou assim, bicho de zoológicos vários, de horários próprios, independência incomum, desapego à traquitanas. Restou-me, de humanidade, a lealdade sem fim.

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  2. marcia190724/02/11, 21:42

    uau, velvet e blues ar-ra-san-do!
    e eu com meu nível de poesia zero, só posso dizer que adorei ler vcs.
    aliás, eu já falei q vocês duas foram as melhores coisas que aquele determinado blog me propiciou?

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  3. Neste poema, lembrei de um livro que já devo ter lido umas três vezes e lerei ainda uma quarta: "A origem da linguagem" do Eugen Rosenstock-Huessey.

    A tese principal do livro é uma defesa do sagrado na linguagem humana. Enquanto tantos antropólogos, linguistas e afins esquerdistas buscam a origem da linguagem naquilo que nos torna iguais aos animais (ruídos, sons, gestos, barulhos), ele defende que é naquilo que nossa linguagem possui de diferente é que reside a origem e propósito do que somos.

    Enquanto acadêmicos esquerdistas insistem em nos recortar e reduzir ao comum e aos atos mecânicos de abrir portas, puxar válvulas e olhar relógios, Eugen revela o que nos sublima: as juras de amor, os discursos, a retórica, "o poder de cantar em coro, compor versos, encenar tragédias, rezar em agradecimento", etc.

    Enfim, Eugen sabe que a linguagem "é o campo privilegiado do Espírito Santo"; Manoel de Barros também.

    Abraços sempre afetuosos.

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  4. Marcinha... é impossível eu escrever palavras que representem o que a amizade de vocês representa para mim.

    Foi uma amizade de graça, literalmente, do tipo que nunca cobra, só oferece. Que não se cansa, não se desgasta, nem corrói, porque nunca invadiu. Longe e perto. O tempo todo.

    Não sei como seriam esses meus dias sem o suporte de vocês. E vocês sabem do que estou falando, dos dias que já são anos, difíceis, e que só vocês sabem.

    Beijoca.

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  5. Gente (Casal), não conheço essa publicação. Mas vou resolver isso amanhã mesmo.

    Pelo que contou, é imperdível. Vou ler com prazer.

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  6. Velvet, é uma obra da área de linguística (que é a nossa área de trabalho, minha e da minha esposa).

    Achei uma resenha muito boa desse livro para iniciar: http://demetriussurdi.blogspot.com/2010/05/origem-da-linguagem-eugen-rosenstock.html

    Abraços sempre afetuosos.

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