sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

PROGRESSÃO CONTINUADA E A DISTORÇÃO COMO MÉTODO


Desde 1996, com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), as redes de ensino começaram a adotar o ensino por ciclos e a progressão continuada dentro deles: os estudantes devem obter as habilidades e competências em um ciclo que, em geral, é mais longo do que um ano ou uma série. Como, dentro de um ciclo, normalmente, não está prevista a repetência, mas sim a recuperação dos conteúdos por meio de aulas de reforço, usa-se o termo progressão continuada. É uma tentativa de regularizar o fluxo dos alunos ao longo dos anos na escola, superando o fracasso escolar das altas taxas de reprovação.

No país, de acordo com o senso escolar de 2009, 25 de cada 100 escolas oferecem a progressão continuada. No estado de São Paulo, que tem a maior rede de ensino do Brasil, 99 a cada 100 escolas oferecem ensino com ciclos, adotado há mais de 10 anos. Essa semana, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo iniciou a discussão das mudanças na progressão continuada com os profissionais da rede, fato que motivou reportagem sobre o tema no Bom Dia, Brasil desta sexta-feira. 


A progressão continuada é alvo de polêmica entre os envolvidos no processo educacional, e é sistematicamente atacada pelos sindicatos de professores. Foi alvo de campanhas virulentas por parte daquela "organização" de professores paulistas, a APEOESP, o sindicato estadual a serviço do PT que se diz defender a educação, mas para ser coerente com a incoerência da esquerda, queima livros na rua

Na reportagem do Bom Dia, Brasil, foi dito que o MEC passou a adotar a progressão continuada. São as tais coisas que o desgoverno faz por decreto e que ninguém nem nota. O Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou, no final de 2010, novas diretrizes curriculares para o ensino fundamental – 1ª à 9ª série. A Resolução do CNE, publicada no Diário Oficial de 14 de dezembro de 2010, recomenda que as escolas não reprovem nenhum aluno até o 3º ano. 

Na campanha eleitoral do ano passado, a hoje presidente, chefe do Haddad, que continuou ministro, afirmou categoricamente ser contra a progressão continuada, durante o debate da TV Bandeirantes, em 5 de agosto. A então candidata do PT defendeu o fim do mecanismo que leva à aprovação automática no ensino fundamental.  “Nós temos de romper com aquela prática da progressão automática do aluno”. Disse que o mecanismo “é responsável por colocar o professor num sistema sem saber se o aluno tinha aprendido ou não”. Ora, naquela ocasião, ela nada mais fez do que emprestar ares solenes às virulentas manifestações da APEOESP, que estavam em pleno curso contra o candidato tucano à Presidência da República, José Serra. 


Santa incoerência, Batman (bem a propósito por causa disso aqui)! A resolução do MEC vai em sentido contrário ao que dona presidente afirma defender. Na visão do CNE, a reprovação nos primeiros anos da vida escolar funciona como complicador à alfabetização. A resolução foi homologada pelo ministro da educação. E não vi nenhum ataque a isso, por parte de ninguém da base do desgoverno. Muito menos pela APEOESP.

O MEC do ministro Haddad tem sido um dos terrenos mais profícuos em confusões do desgoverno do PT. Falhas infinitas no ENEN/SISU, polêmica nos kits-homofobia, distribuição de máquinas de preservativos nas escolas públicas, cartilhas de iniciação sexual... É tanto bafafá cultivado ali que nem é mais terreno, já é um latifúndio de lambanças. E como no resto da Esplanada petralha, um canteiro de incoerências. É a distorção o único método eficaz adotado pela esquerda que nos desgoverna. 

Arquivo: 

12 comentários:

  1. Essa mania do PT comparar tudo com São Paulo é enervante, além, lógico, de faltar com a palavra com as promessas de campanha.
    Como o texto destaca, as falhas na educação são graves e afetam a sociedade de modo irreversível.
    O discuros é a distorção.

    ResponderEliminar
  2. Querida regina.

    Passando para minha dose diária.Belo texto e meus parabens pela lucidez com que escreve.

    ResponderEliminar
  3. Complementando o pequeno comentário feito no twitter e citado acima pela Adriana; chega a ser revoltante essa coisa dos petralhas ficarem criticando o que acontece em São Paulo até que resolvam copiar.
    A progressão continuada é só um dos temas.
    Se chove no Rio é tragédia; se chove em São Paulo é descaso.
    Os escandalosos da APEOESP deveriam ser surrados no MASP onde gostam de fazer seus auês.

    ResponderEliminar
  4. Ótimo texto, assim como todos os outros que li nesse blog.

    ResponderEliminar
  5. Ganhaste um per"seguidor"!!!

    Parabéns!

    ResponderEliminar
  6. O que é bom, é para ser copiado, diz a máxima popular, mas em se tratando de PT, eles copiam o que é ruim. Não acredito que a promoção automática, ou seja lá que nome se dê, é um bem para a educação. É, antes, um bem para as estatísticas. O mundo vai saber que nossos alunos são mais inteligentes que os do resto do mundo, já que ninguém reprova. Não reprovando, não se desistimula; não perdendo o estímulo não evade-se da escola, sem contar que existe uma Bolsa Família e uma alimentação escolar para ajudar a manter o aluno matriculado. Bom, se frequenta ou se aprende, aí é outra história.
    O PT adotar essa prática nefasta a nível nacional é apenas a comprovação de que se é ruim para o Brasil, é bom para o PT. Como educação é investimento a longo prazo, logo, logo a conta chegará para o país pagar pela piora crescente da qualidade da educação.

    ResponderEliminar
  7. Só conheço o sistema 'estudou, passou de ano', porque foi assim que aprendi na escola.
    Se a progressão continuada faz sentido ou não, deixo a discussão para os educadores.
    Particularmente prefiro o sistema antigo. E incluiria aí, o retorno do Magistério, nível médio, para o ensino das crianças até a 4a. série. Professores jovens têm mais facilidade para interagir com os pequenos.
    Pedagogos só para orientar os professores.Mas o lobby das faculdades impede o retorno daquela professorinha jovem - que pena.
    No mais, o tema é complexo.
    Parabéns, São Paulo, por sentar-se à mesa com os professores para esclarecer assunto tão importante para as nossas crianças.
    E, parabéns, Regina.
    Traga mais novidade à respeito.

    ResponderEliminar
  8. Eu fiz magistério. Nunca atuei em sala de aula, apesar de ter cursado História e Letras na universidade. Mas concordo totalmente com o Anônimo das 19:35.

    ResponderEliminar
  9. Não fiz, neste texto em particular, nenhum juízo de valor sobre a progressão continuada. Pessoalmente, não gosto dela. Em todo caso, o que não posso admitir é que algo absolutamente criticado pelo PT seja adotado pelo...PT! E mais, sem nenhuma reação, seja por parte dos petistas - e em particular, dos sindicatos da categoria - nem mesmo pela imprensa.

    Pelo Twitter, fui informada que saíram críticas sobre a adoção da progressão pelo MEC, no jornal O Globo, na seção Opinião. Não encontrei, on line. Se alguém tiver o link, pendure aqui, por favor!

    ResponderEliminar
  10. Sandra Sallee20/02/11, 03:33

    Sem educar nao vai haver futuro para o Brasil . O que vamos ver no futuro e o que estamos vendo agora .
    Diplomados analfabetos .
    Para aqueles que conseguem o diploma tudo bem , mas na hora que eles tem que mostrar o que aprenderam competindo com aqueles que realmente estudaram e aprenderam e que estao preparados ,a unica saida vai ser o QI ( quem indica ) se algum deles possuir . Melhor seria se as escolas fossem publicas , integrais e obrigatorias do Jardim-
    de-Infancia ao Segundo Grau , com uma educacao e educadores de alto nivel . Sonhar e permitido ....
    Bom tema ! Parabens por traze-lo a tona ..

    ResponderEliminar
  11. Quanto mais os professores fazem cursos de "reciclagem" e que outros nomes tenham, menos eficientes se mostram ao repassar o conhecimento. Fico com anônimo 18/02/11 19:35. Professores não tinham que ter trocentos cursos de formação. Tanta pedagogia, tanto tudo e falta o principal, que é didática. Por outro lado, se o professor não tiver vocação e habilidades, pouco adianta mergulhá-lo em cursos. Isso sem contar com aqueles alunos que brigam por décimos em suas notas. Isso já ensina a criança e o jovem a serem persistentes. No meio de tudo isto tem muito mais do que apenas Ensino. No mais, ninguém quer mesmo resolver nada.

    ResponderEliminar