sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

PATRULHA EM ALTA



Gente, vocês já notaram como as pessoas viraram fiscais uma das outras? Não sei se este fenômeno só está ocorrendo no Rio ou já virou praga nacional, mas o fato é que estou começando a ficar preocupada frente ao "xiitismo social".

Se um fumante anda calmamente na calçada, corre o risco de ouvir de um desconhecido um “apaga isto” “pare de fumar” “isto faz mal”. E estas expressões são ditas não como conselho, mas em tom autoritário. Alguns fumantes rebatem, mas, a maioria segue seu caminho como se nada tivesse acontecido.

Se você está num self-service e coloca em seu prato, ovos de codorna, batata frita e fatias generosas de picanha acompanhada daquele molho maravilhoso e farofinha, não tenha dúvida que aparecerá um desmanchar prazer. Sorrateiramente ele parará atrás de você e falará bem baixinho sobre o mal da carne vermelha ou do sofrimento do animal na hora do abate. Juro que sei de casos semelhantes acontecidos em uma churrascaria e em restaurantes de comida mineira e baiana! Não me perguntem o que um vegetariano vai fazer num desses locais, que a única resposta que tenho é “aporrinhar os outros”.

E refrigerante comum, alguém sabe me dizer em que momento ele virou veneno? Sim, experimente pedir uma Coca-Cola normal. Aposto que ou o rapaz do balcão ou o freguês do lado, quando não a pessoa que lhe acompanha perguntará, com ar surpreso, o porquê de você tomar este tipo de refrigerante. Magra, gorda, nova ou velha, não importa, a “ordem” agora é refrigerante light, zero, diet ou qualquer outro novo nome que já tenham inventado. A opção pelo bom e velho açúcar branco também traz censura imediata. E se em algumas destas situações você responde com um pouco mais de veemência os olhares de recriminação se multiplicam.

Alguém pode até rebater argumentando que fumar, comer carne vermelha, açúcar branco e tomar refrigerante comum não são hábitos saudáveis. Sim, mas e daí? Isto dá direito a estranhos lhe darem ordens ou lhe censurarem? Mais do que me incomodarem, estas ações me amedrontam. Quando uma sociedade passa a achar normal um patrulhamento em nome de alguma coisa digamos, positiva como a saúde, ela dá margem para que logo apareçam outros tipos de patrulhamentos. E de patrulhamento em patrulhamento se enfraquece a democracia.

Mirtes Guimarães, jornalista carioca nascida em Minas Gerais.

5 comentários:

  1. É a gestapo do pensamento, são os ladrões de cérebro, os chumpins de sempre!

    Viu porque ando com meu protetor de mentes? Não quero ficar presa na torre do bandido!

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  2. Outra coisa que detesto é o politicamente correto. Por exemplo: meus amigos são "negão" e não afro-descendentes.

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  3. Odeio qualquer patrulhamento e mesmo com a minha famosa "doçura", viro um cavalão quando me patrulham e respondo: a vida é minha ou phoda-se!, dependendo da ocasião.

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  4. Concordo totalmentíssimo. Achei as pessoas completamente surtadas no Brasil!! Patrulha é pouco!
    Se vc disser que "I will survive" é um hino gay, as pessoas te rotulam de homofóbico. Se falar mal da Dilma é pq é sexista. Fui chamada de "reacionária" pq disse que estava de saco cheio da MÚSICA do Chico Buarque.
    ~


    Mariana Bolacha

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  5. Mirtes, só tem uma solução:

    Sentar no restaurante pedir uma picanha mal passada com uma coca-cola gelada e no meio de tudo acender um cigarro! Só para ver a cara das pessoas em volta.

    Lunarscape.

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