domingo, 20 de fevereiro de 2011

TERRA CINZA


É uma terra sem dono. Um estado de semiconsciência, mas íntimo, pessoal e precioso, em que imagens detalhadas vagam por uma mente inquieta, irrigada por necessárias lágrimas.

É uma terra cinzenta. Partida por ventos poderosos e vozes que gritam alto numa língua que os mortais não conseguem falar. Parece alegre. Pode ser que seja. Pode ser uma festa de descobertas intrínsecas. 

É possível vagar livremente entre o cinza, as vozes, o vento, a memória e o esquecimento. Sem medo. 

O vento canta alto e às vezes, chove. Chuva ou lágrimas, não importa. É o que dá contornos possíveis ao vento, às vozes e ao silêncio. Veste a todos de água, translúcida. As vozes e o silêncio parecem hipnotizados... 

Há perfume que flui para o alto. Há discursos, nessas vozes e nesse silêncio, e essa é a função do vento: propagá-los. Mas ainda não há meio de compreendê-los. Há vibração e loucura, e durante algum tempo, tem-se o receio de ficar sozinho. Mas logo passa.

Sonhar com pores do sol cálidos, flores de cores vivas, palmeiras cheias. Não é necessário. Aqui, nessa terra cinza, a alma fica embriagada. A vida pode ser plena. Se a encontrar, se a ouvir, se não se perder. 

Na terra cinza, vida é plena. Destrói e satisfaz, mas nunca desaponta.

2 comentários:

  1. marcia190720/02/11, 17:32

    a terra cinza pode ser ótima, mas deve se ter a consciência de que é apenas uma fase. é o cinza que faz com que as cores vibrem mais e são as cores vibrantes que dão nobreza ao cinza. vivenciar os dois é pois, imprescindível.

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  2. Descrição perfeita e sensível de um estado intimista da alma, que se busca e contempla. Belíssimo poema! Parabéns! =)

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