terça-feira, 8 de março de 2011

CAI A NOITE



"Plena mulher, maçã carnal, lua quente,
espesso aroma de algas, lodo e luz pisados,
que obscura claridade se abre entre tuas colunas?
que antiga noite o homem toca com seus sentidos?
Ai, amar é uma viagem com água e com estrelas,
com ar opresso e bruscas tempestades de farinha:
amar é um combate de relâmpagos e dois corpos
por um só mel derrotados.
Beijo a beijo percorro teu pequeno infinito,
tuas margens, teus rios, teus povoados pequenos,
e o fogo transformado em delícia
corre pelos tênues caminhos do sangue
até precipitar-se como um cravo noturno,
até ser e não ser senão na sombra de um raio."
(Pablo Neruda)

1 comentário:

  1. Bem sabia o poeta do amor!
    O amor é isso mesmo...
    "Beijo a beijo percorro teu pequeno infinito,
    tuas margens, teus rios, teus povoados pequenos,
    e o fogo transformado em delícia
    corre pelos tênues caminhos do sangue
    até precipitar-se como um cravo noturno,
    até ser e não ser senão na sombra de um raio."
    (Pablo Neruda)

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