sábado, 5 de março de 2011

É CARNAVAL. SE FOR PRECISO EU REPITO.


Bateu "crise existencial": só porque não gosto, que direito tenho eu de me meter na alegria carnavalesca de quem gosta?  

E tudo o que peço é silêncio. Tudo o que espero é tanta coisa para não lembrar. Nem do carnaval que já passou e nunca foi. Nem lembrar daquela saudade do futuro que jamais será.


Afinal, é carnaval, e se no carnaval está tudo liberado, todos os excessos são perdoados, 'nenhuma nudez será castigada'... Uma alma desnuda, desencontrada. Maquiagem borrada, máscara no chão, fantasia abandonada, que canta para si e desfila para seu vazio, garante passagem pela avenida sem arquibancada. São excessos interiores permitidos, então.

Lá vou eu, pro meu cantinho escondido.  Ansiando por chuva na janela, levando só  o calor da música (gosto de samba e no meu exercício de loucura, acho que samba é uma coisa, carnaval é outra). Acompanha-me a solidão das letras encontradas, as bem-feitas, não as minhas, só rascunhadas. E nada mais nos braços.


ANTES DO BAILE VERDE
(Lygia Fagundes Telles)

O rancho azul e branco desfilava com seus passistas vestidos à Luiz XV e sua porta-estandarte de peruca prateada em forma de pirâmide, os cachos desabados na testa, a cauda do vestido de cetim arrastando-se enxovalhada no asfalto. O negro do bumbo fez uma profunda reverência diante de duas mulheres debruçadas na janela e prosseguiu com seu chapéu de três bicos, fazendo rodar a capa encharcada de suor.

- Ele gostou de você - disse a jovem, voltando-se para a mulher que ainda aplaudia. - O cumprimento foi em sua direção, viu que chique? 

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1 comentário:

  1. marcia190705/03/11, 18:13

    mas, você está certíssima samba é uma coisa e carnaval outra bem diferente!
    e se o "liberô" é geral vale também pra você

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