quinta-feira, 3 de março de 2011

O ESTADO, OS VALORES E A VIOLÊNCIA NA PORTA DE CASA



É um estado de decadência. E antes que digam que política - tanto a ciência quanto a exercida pelos poderes da República - nada têm com isso, afirmo logo que tem sim. 

Não é que toda ação do homem é um ato político? Todas as decisões tomadas por quem deve tomá-las, em qualquer instância ou setor de um organismo social, são decisões políticas, e que afetam a vida de todas as pessoas daquela sociedade.

Estado de ziriguidum, com todo baticum do carnaval, e às vésperas de seu início oficial, uma explosão de violência toma conta do noticiário. Não se trata da guerra diária entre quadrilhas do tráfico. Não se trata de bala perdida em tiroteio. Não se trata de crime de máfia. Não se trata de contrabandista chinês rico com altas ligações com as esferas do poder nacional. É a violência vizinha. Aquela que pode acontecer na nossa rua. Na casa ao lado. Na praça ou na avenida principal da nossa cidade. É uma onda de violência que se realiza por falta de valores, pela ausência total da ordem moral ao nosso redor: honra, decência, retidão, integridade, espírito, têmpera. Vergonha na cara.

Um animal demente ao volante, acelera e atropela mais de 20 ciclistas, como se fosse ele, a bola, e aqueles, pinos numa pista de boliche. Porque a manifestação atrapalhou o trânsito, ele se irritou e partiu pra cima. Não se trata de um bandido condenado, que tenha fugido da cadeia. É um alto funcionário do Banco Central, supostamente um cidadão acima de qualquer suspeita. 

Uma criança de 6 anos é sequestrada e morta, asfixiada com um cadarço de sapato, pela amante do pai da menina. A acusada é uma jovem de 24 anos, com problemas de comportamento desde a adolescência. Ela, mãe de duas crianças. O pai, um professor de educação física. Que enfrenta a dor de saber que levou a destruição de sua família e de sua própria vida - nunca mais alguém normal se recupera de uma barbaridade assim - por sua própria falta de valores. Ele mantinha, dando sustento financeiro, a mulher que matou sua filha, há um ano. Ele remoerá isso até a sua própria morte. A assassina de uma inocente ficará presa, e seu crime destruiu duas famílias - a dela, própria. 

Um policial militar dirige por 5km, na contramão, numa rodovia de alto movimento. Bate o carro, capota, e causa um acidente envolvendo outros 9 veículos, deixando vítimas em estado grave. Dentro do carro foram encontradas latas de cerveja vazias. O que se passou na cabeça dessa criatura, ninguém sabe. Hoje, é um criminoso no hospital, de onde sairá direto para o presídio militar. 

Um rapaz de 22 anos mata a facadas - uma faca comum de cozinha - o pai e a mãe. Outro irritadinho. Não queria mais ser pressionado pelos pais para arrumar um emprego. Um jovem de 22 anos, ele próprio, pai de duas crianças. Logo após assassinar a facadas os seus pais, ele sai para uma loja de conveniências para comprar cerveja.

Tudo isso aconteceu nessa semana, de domingo até a madrugada de hoje, quinta-feira. Estamos num estado de torpor. Vemos e nem nos incomodamos. E quem se incomoda, nada pode fazer. Não é politicamente correto. Não se pode mais ter valores religiosos. Você que tem a sua religião (e todas têm preceitos morais em sua doutrina) e a pratica, tem que fazer isso quase clandestinamente, pois é carola, é fanático, é quadrado, é careta, é antiquado. Não se pode mais educar os filhos, pois o estado tomou para si (e para seus próprios interesses, todos escusos) a responsabilidade. Não se trata de coibir abusos domésticos, trata-se de formar uma geração de pais e mães bananas, sem o pátrio poder, para que apenas o estado determine o que pode e o que não pode. É assim na China, por exemplo, onde o governo escolhe crianças para serem atletas, ginastas, artistas de circo e etc, e os tira de casa aos 4 anos para treiná-los. 

E você acha que seu filho, sua filha, estão seguros na escola, porque o estado garante que lhes dará toda a educação necessária que ele, estado, considera que você não é capaz de oferecer,  e lá nas dependências da escola eles têm manual de iniciação sexual à disposição. Ah, sim, e na saída da aula, podem pegar preservativos numa máquina, com a mesma facilidade com que você e eu pegamos uma Coca-Cola naquela máquina do shopping.

Mas nenhum de nós nos importamos com isso. Porque o estado nos garante a felicidade, e são coisas como essas aí acima que podem nos deixar infelizes. Logo, queremos o que o estado nos oferece: compramos um dinheiro caro através do crédito consignado, pré-aprovado, ao alcance de um saque no caixa eletrônico, para pagar as prestações que já assumimos (pelas quais já pagamos juros altos) de coisas que não precisamos. E tem até propaganda da CEF, um banco oficial do estado, com a musa da desfaçatez que é a desgraça da "justiça social na central da periferia", a Regina Casé, ensinando que você pega o financiamento para pagar outras dívidas, pagar impostos, mas sem se esquecer de tirar um pouco mais para curtir o carnaval. Porque ninguém é de ferro.

Muito melhor! Melhor Regina Casé saracoteando piadinhas do que qualquer outra que aponte para a depravação moral que se alastrou por estepaiz, em nossa cidade, na rua onde a gente mora. Ah, sim, e na escola dos nossos filhos. 


3 comentários:

  1. Talvez fosse de bom alvitre por a Regina Casé no lugar da Sandy, na propaganda da Devassa. É o que ela sugere que se faça com o suado dinheiro do povo.

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  2. Excelente, Velvet.

    Quando leio o noticiário, essas pequenas histórias, aparentemente isoladas, formam um conjunto assustador.
    Alguém poderá dizer que a violência faz parte da natureza ou da nossa história, mas há algo errado hoje em dia.
    O cristianismo trouxe algum freio a certas barbaridades, mas parece que agora ninguém se importa mais com isso. A maldade parece circular livremente entre nós, e o pior, sem que haja escândalo.
    Tempos estranhos.
    Abs
    Gutenberg
    Laudaamassada.blogspot

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  3. Parabéns, @decicote excelente texto, estou contigo nessa realmente está faltando muita coisa, mais principalmente os governantes não quererem se colocar no lugar da família, sem trocadilhos Keep Walking...

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