quarta-feira, 2 de março de 2011

ROCK N' ROLL, UMA HISTÓRIA - EPISÓDIO VI


"A parte mais importante da minha religião é tocar guitarra". (Lou Reed)




Entre 1963 e 1966, o rock guinou para outras direções e se desmembrou do rock original. O Bob Dylan apresentava mensagens sócio-politicas explícitas, os Rolling Stones e o The Who assumiram o papel de “herdeiros” da imagem delinqüente rebelde da década de 50 e experimentavam com o caos sonoro. Os Beach Boys, os Beatles e os Byrds focavam mais na apuração técnica de gravação e continuavam apresentando letras alienadas do movimento social que o mundo vivia. A guerra do Vietnã, o holocausto nuclear e a revolução cultural não os afetavam. O resumo é que 1966 marcava a entrada pesada dos halucinógenos no meio roqueiro, meio que por coincidência, estavam disponíveis e marcavam o oposto daquilo que o estabelishment representava: guerra, ódio, ganância, vida burguesa, e valores morais antiquados.
Sobre Lennon & McCartney
É inegável a imensa contribuição da dupla para a industria Pop-Rock. Questiona-se apenas se aquele repertório realmente era deles ou se a ajuda externa era maior do que eles admitem. O Brian Epstein (primeiro produtor dos Beatles) adestrou os meninos, dando o padrão visual e a postura de palco. Já o George Martin deu musicalidade própria aos Beatles. De rockeiro ali só mesmo o Lennon. Harrisson era folk puro, o Ringo... bem, o Ringo era o Ringo! E o Paul era pop puro. Convenhamos, uma mistura nada sólida, tanto é que não resistiram à investida da dupla Yoko Ono/Linda Eastman.
Yoko e Linda eram colegas de quarto numa universidade Nova Iorquina e freqüentavam as festas do “Jet-set” local. Numa dessas, “cercaram” os Beatles. Sendo que a Yoko era super a fim do Paul e o combinado era que a Linda ficasse com o Lennon. O Paul rejeitou a Yoko de cara, e preferiu a Linda. O John, “chapado” acabou indo dormir com a Yoko e ali nasceu uma relação no mínimo “bizarra”. Os Beatles não agüentaram e se separaram em 1970. “The Dream Was Over”.
O Disco Blonde On Blonde do Bob Dylan lançado em maio de 66 marca algo de forma definitiva. O rock descolava da fórmula antiga e álbums com composições mais longas e mais elaboradas saíam aos montes de Londres, Los Angeles e Nova York. O álbum do Dylan foi seguido do “Freak Out” do Frank Zappa e logo depois os Rolling Stones lançam o Aftermath. No final aquele verão é marcado pelo primeiro disco do The Doors.
A mudança introduzida no rock coincidiu com o “boom” do free Jazz e os roqueiros demostravam conhecimentos musicais para flutuarem entre o rock e o jazz. Velvet Underground, o Jefferson Starship, Grateful Dead e Pink Floyd enveredavam pelo universo sonoro psicodélico. O novo gênero representava bem o que era a contra-cultura e foi consumido em larga escala.
Alavancaram a contra-cultura, o movimento hippie, especialmente forte em São Francisco, concentrado em Haight Ashbury (bairro de SF) e os “Acid-tests” (festas movidas a LSD). As bandas ícones são Jefferson Airplaine, Greatful Dead, Paul Butterfield, Blue Cheer e Steppenwolf.  Em Los Angeles, The Doors e Iron Butterfly ( In a Gaga Da Vida) seguem o que se fazia em São Francisco. Rock lisérico. No mesmo período, em Nova York, o Velvet Undergound partia para a heroína e tem toda a música deles influenciada pela droga. E contrário aos hippies da Califórnia, os membros do Velvet Underground eram músicos experientes e com profundo conhecimento musical e cultural, assim produziram uma música sombria e pessimista.


Jimmy Hendrix fez parte desse movimento e também movido a drogas pesadas, basicamente heroína, ele lança Are You Experienced e Electric Ladyland. Blues psicodélico para ninguém botar defeito. No continente americano, o que esses nomes todos tinham em comum, eram as drogas e as longas “Jam sessions” onde a raiz do rock era preservada em pequenas doses e o improviso jazzístico era mas proeminente.


Lunarscape


(Continua...)

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