sexta-feira, 4 de março de 2011

ROCK N' ROLL, UMA HISTÓRIA - EPISÓDIO VIII

"Numa banda de Rock, você está numa situação privilegiada. Você tem poder, muito dinheiro e glamour. Fazer parte de uma grande banda de Rock é como estar em uma jaula.  É esse tipo de descoberta e exorcismo que está em The Wall." (Roger Waters)


Abro um parêntese de fã do gênero: lendo sobre os meus ídolos, aumenta a minha admiração por eles. Por exemplo, o Jon Anderson, vocalista do Yes, começou em bandas aos 14 anos, junto com o irmão. Não deu certo e ele arrumou um emprego numa casa de espetáculos onde fazia de tudo, desde carregar caixas de cerveja até fazer pagamento aos músicos que ali tocavam. Fez amizade com o Chris Squire (baixista do Yes) e um dia, apoiado por mais dois músicos, sobem ao palco para substituir uma banda que não apareceu para tocar. Em pouco tempo a espinha dorsal do Yes estava formado. Com a entrada do Rick Wakeman em 70 a formação estava completa e tínhamos ali a melhor formação de banda da história do rock.

O Keith Emerson, do Emerson Lake & Palmer, era bancário do Barkleys Bank e com o terceiro salário, comprou um piano velho que reformou. Aprendeu a tocar de ouvido, escutando discos do Oscar Petterson! Formou uma banda com raiz no clássico misturado com jazz, em formato rock, The Nice. Tocaram no festival de Wight em 69. No ano seguinte, com Nice desmembrado, o Emerson se apresenta em Wight com o Greg Lake e Carl Palmer. Um trio sem guitarrista! Abrem o show com um tiro de canhão, garantindo o marqueting para sempre.

Agora, se é para destacar um musico do gênero Rock Progressivo, eu teria que mencionar Rick Wakeman. O Wakeman com certeza entrará para a história como o Mozart do nosso tempo. Ninguem supera o Wakeman em termos de talento e produtividade. Alem dos 31 discos da carreira solo, que vão desde Henry VIII And His Six Wifes em 72 até Retro 2006, o Wakeman gravou 15 discos com o Yes. O primeiro trabalho do Wakeman, aos 16 anos foi fazer arranjo e tocar piano para o Cat Stevens no “Morning Has Come”. Pouco depois, entra para o Strawbs que era um projeto tocando folk rock. Num intervalo de excurções do Strawbs, o Wakeman grava o primeiro disco e faz arranjos para um jovem desconhecido chamado David Bowie. Na semana do lançamento do disco do Bowie, o Wakeman é chamado pelo Jon Anderson para fazer um ensaio com o pessoal do Yes, estavam gravando o Fragile. O resto é história.

O rock progressivo entra em decadência por volta de 76-77, quando iniciou-se uma batalha por quem fazia as musicas mais longas e mais elaboradas, e o virtuosismo tomava conta do cenário. O resultado eram músicas demasiadamente chatas e o público começava a abandonar o progressivo. O ego fazia vítimas nas bandas principais e muitos astros saíam das bandas para seguir carreira solo.

Um destaque para o Mike Oldfield, quando, aos 17 anos de idade compõe uma trilha sonora não utilizada (a não ser por uns 15 segundos), para o filme “O Exorcista” de William Friedkin. O disco Tubular Bells foi durante anos campeão de vendas e o Oldfield se dedicava a fazer “paisagens sonoras”. Guitarista minimalista, já fez de tudo no cenário do rock alternativo. Com mais de 30 titulos gravados, vale uma conferida em cada um deles.

Outro parêntesis: nos EUA não se fazia progressivo. A contra-proposta era o fusion, uma mescla de rock com jazz tocado em instrumentação pesada. Exponentes maiores eram o Weather Report, Return To Forever e o Mahavishnu Orchestra do John McLauglin.

Dois fatos marcam a debandada do ouvinte: novamente o pop ressurge e os Bee Gees emplacam a trilha sonora do Saturday Night Fever com o John Travolta no papel principal (lembram do Tony Manero?). A partir dali, Disco Music domina as paradas de sucesso. O segundo fator é o surgimento do extremo oposto, no cenário do rock alternativo, o rock punk. Bandas sem praticamente nenhum conhecimento de música, mal sabendo tocar 3 notas, mas com atitude e visceralidade, falando mal de tudo e de tudo mundo. Sex Pistols, Ramones e The Clash passaram a dominar a cena

(Continua...)



5 comentários:

  1. Jorge Atakardiac04/03/11, 13:14

    Assisti o Journey do Wakeman no Maracanãzinho, já não lembro em que ano foi. A narração do Hemmings não sai da cabeça(do Blow up - filmaço da época) era coisa de louco. Um Mozart, sem dúvida.

    Então o Emerson aprendeu de ouvido! Tvz por causa do Pictures...achei que vinha de academia. Aquela abertura do Tarkus a 230 por hora foi um tremendo cartão de visita. Acho que é do Brain Surgery que vem uma frase maneira que é a cara do Rock, "Welcome back my friends to the show that never ends." From the beggining, Peter Gunn ao vivo, mt coisa boa

    Já o Yes, esse é um assunto a parte nunca vou cansar de ouvir e conversar. Aquele violão do Howe que vc incluiu no post anterior só comparo ao Bourée flautado pelo Anderson do Jethro Tull, eterno. Close to the Edge acho que lembro da letra quase toda. Em Tales e Nous somme Jon dá um recital, a meu inigualável até hj. Nunca mais escutei nada nem de perto parecido.

    Excelente viagem aos 70s meu caro amigo, Tks.

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  2. Atakardiac e o Doc poderiam ter escrito a série a 4 mãos...

    Aliás, vocês dois bem que podiam pensar em algo assim...

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  3. Jorge, aquele show do Wakeman no Maracanazinho foi em 75, com Murilo Nery narrando em portugues.
    Mas o Maracanazinho não era um local ideal para a acustica daquele tipo de som. A vitima seguinte foi o Genesis em 77.

    A decada de 70 foi "indeed" muito louca; tinhamos acesso ao som fantástico e o mundo estava desabando.
    Acho que ruim mesmo foram os anos 80 (em termos de musica).

    Tens toda razão: The Clap do Howe é sim um Bourrée do Tull. Marcos de uma era de ouro de musicos fantásticos.

    E não escondo a minha imensa paixão pelo talento e a dedicação dos caras do Yes. Pois ouvir Yes não é apenas um exercicio auditivo, é todo um estilo de vida.

    Lunar

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  4. Velvet, só para registrar; na foto acima, embaixo da frase do Waters, é o Snowy White. Tido como o segundo guitarrista do Pink Floyd e mais tarde como guitarrista do proprio Waters.
    Snowy é blueseiro, mora em Amsterdam onde é dono de, é claro, um Blues Bar.

    Lunar

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  5. Ainda bem que você registrou, Doc. Pra mim, era tudo Pink Floyd...rs. Deixo a foto, no entanto. Eu gosto dela...rs

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