segunda-feira, 11 de abril de 2011

CAI A NOITE


"Quando o presente tiver trancado a sua porta
após a minha trêmula estadia,
E o mês de maio abanar suas alegres folhas
verdes como asas,
Névoa delicada feito seda acabada de fiar, irão
os vizinhos dizer:
“Ele era um homem que costumava notar tais
coisas”?

Se eu passar durante algum negrume noturno,
cheio de mariposas e morno,
quando o ouriço-cacheiro viaja furtivamente
pelo gramado,
Podem dizer: “Ele lutou para que a essas
inocentes criaturas não
sobreviesse nenhum mal,
Mas pouco pôde fazer por elas, e agora foi-se”.

Se, ao saber que aquietei-me afinal, eles
estiverem de pé à porta,
Acompanhando os céus inteirametne estrelados
que o inverno vê,
Irá esse pensamento despertar naqueles que
não mais encontrarão meu rosto:
“Ele foi alguém que tinha olhos para tais
mistérios.”?

E irá alguém dizer quando o sino da minha
despedida for ouvido ao escurecer,
E a brisa que passa cortar uma pausa em seus
desenrolares
Enquanto não tornam a levantar-se como se
fossem um novo repicar de sino:
“Ele já não ouve mas costumava notar tais
coisas”?"

(Thomas Hardy)

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