terça-feira, 19 de abril de 2011

CAI A NOITE



"Se brilhassem os faróis, o rosto sagrado,
Preso num octógono de insólita luz,
Murcharia, e todos os mancebos do amor
Pensariam duas vezes antes de cair em desgraça.
Os traços de suas íntimas trevas
São feitos de carne, mas que chegue o falso dia
E caiam de seus lábios as cores desbotadas,
Que as vestes da múmia exponham um peito antigo.

Disseram-me que pense com o coração,
Mas o coração, como a cabeça, conduz ao desamparo;
Disseram-me que pense com a pulsação
E, quando ela se acelarar, mude o ritmo da ação
Até que no mesmo plano se fundam os campos e os telhados
Tão rápido me movo ao desafiar o tempo, o tranqüilo fidalgo
Cujas barbas flutuam ao vento.

Ouvi o que muitos anos tinham a me dizer,
E muitos anos atestariam alguma mudança.

A bola que lancei quando brincava no parque
Ainda não tocou o chão."

(Dylan Thomas)

2 comentários:

  1. Cara Regina

    Seu blog já é disparado um dos melhores. Estas postagens então, do cai a noite, são maravilhosas.
    Parabéns, ainda não desistimos de você, não desista de nós.
    PS. Baixei o livro. Muuito bom, valeu a dica .

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  2. Obrigada, Deci. Você é um grande incentivador. Levarei isso para sempre... Minha bola foi lançada, porque resolvi brincar no parque. Ela ainda não tocou o chão. Mas parece que está perto....

    Abraço!

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