quarta-feira, 20 de abril de 2011

CAI A NOITE


De suspirar em vão já fatigado,
dando trégua a meus males, eu dormia;
eis que junto de mim sonhei que via
da Morte o gesto lívido e mirrado:

curva foice no punho descarnado
sustentava a cruel, e me dizia:
"Eu venho terminar tua agonia:
morre, não penes mais, ó desgraçado!"

Quis ferir-me, e de Amor foi atalhada,
que, armado de cruentos passadores,
aparece, e lhe diz com voz irada:

"Emprega noutro objeto os teus rigores;
 que esta vida infeliz está guardada
 para vítima só de meus furores".
(Bocage)

(Ilustração: Eu Rindo da Curva Foice Que Quis Ferir-Me [literalmente] )


1 comentário:

  1. marcia190721/04/11, 01:18

    menina ñ sei o que é mais bonito, se o poema ou as fotos ? ou melhor, sei sim: a criatividade em cima dos retratos

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