terça-feira, 26 de abril de 2011

CAI A NOITE



Fui até à pedra druida
Que, branca e solitária, no jardim resiste,
Para as sombras mutáveis parei e olhei
Que, por alguns instantes, ali surgem
Da árvore vizinha num balanço rítmico,
Alguma forma toma no meu devaneio
Igual à sombra que uma cabeça e ombros
Do jardim cuidando se projetam ali.

Atrás de mim, senti-a,
Sim, dela aprendi, com o tempo, a grande ausência suportar,
Assim, lhe falei: certeza tenho que atrás de mim estás,
Como, apesar de tudo, até aqui chegar consegues?”
Silêncio absoluto quebrado apenas por uma folha caindo
Como se fora uma triste resposta; e, para meu pesar amenizar,
Vontade não senti de me voltar pra atrás a fim de descobrir
Que não havia nada do que pensava.

Entretanto, olhar queria e ver
Que, por trás de mim ninguém estava;
Contudo, uma vez mais pensei: “Não, ver não quero
Uma forma que, de algum modo, possa ali estar.”
Assim, do atalho suavemente me afasto
Deixando sua forma atrás de mim projetando-se,
Como se verdadeiramente um aparição fora –
A cabeça firmei para que do sonho não despertasse.

(Thomas Hardy)

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