segunda-feira, 18 de abril de 2011

O SENADOR, O BAFÔMETRO E A ESTUPIDEZ DA GRITA



No varejo da política, a máxima da mulher de César é o que mais vale. Não precisa ser político honesto, basta parecer que é. No varejo da política, nada é o que parece ser. Tudo é igual ao que não está claro, não afirmativo, não negativo. 

Uma meia verdade é uma meia mentira, mas na política, uma meia mentira pode ser uma verdade inteira. Taí todo o histórico de mentiras inteiras e meias verdades ditas pelo Expirado e por toda a Petralhândia, que só reforçam essa tese. 

Uma verdade inteiramente invertida é apenas uma verdade. Mas na política, uma mentira invertida é uma verdade. A verdade é a calçada, a mentira é a despensa. A verdade é o portão, a mentira é o armário. A mentira é a eira, a verdade é a tribeira. 

Nesse mundo onde verdades e mentiras encontram-se no cenário gris, há até a disputa por qual mentira vale mais. E há total desprezo por uma verdade que se diz ao assumir um baita erro. É como vejo o caso do senador Aécio Neves, surpreendido pela blitz no Rio de Janeiro, com a carteira de habilitação vencida. 

Conforme ensinou-nos o Expirado ao afirmar que José "Sarnei" não era uma "pessoa comum", justificando assim que ele, Sarnei, não poderia ser repreendido, sequer recriminado por seus atos espúrios e deslizes imorais cometidos na presidência do Senado, eles, os senadores, não são comuns. Não prestar atenção no vencimento de sua habilitação, e sair dirigindo por aí, já devia o senador Aécio saber, mais do que ninguém, que é mais errado ainda, pois não é uma "pessoa comum".  Não obstante, olhando pelos padrões da moral petralha, cuja régua é a conduta de pessoas como Sarnei, Zé Dirceu, Erenice, não ser comum significa ser melhor que os outros, logo, erros, falhas e imoralidades cometidas sob o cargo político não devem ser julgadas, muito menos, condenadas. No caso de Aécio, não ser "pessoa comum" significa que deva ser sistematicamente esculachado por seu erro, e amplificar a grita por outro suposto erro, que ele sequer cometeu.

Eu não sou petralha, e portanto, não concordo com nenhuma das duas "éticas" relativas. O senador Aécio cometeu um erro grande em relação à sua habilitação. Mas não errou, ao contrário, acertou em cheio ao não se submeter ao teste do bafômetro. E alto lá, minha opinião é bem isenta, nesse caso em particular. Quem me acompanha há tempos sabe do que estou falando. Aécio nada fez de irrepreensível, já que a lei prevê que o motorista não é obrigado a se submeter ao referido teste. Para mim, isso basta. A lei me basta. Ah, mas ele é um senador, devia dar exemplo, etc. Sim, e isso significa que ele não pode ter nenhum direito legal? Deve abrir mão deles? Defender essa hipótese é defender uma verdade invertida. Estão gritando demais pelos motivos mais errados do mundo. Submeter a lei (que sequer foi descumprida) à interpretação pessoal de cada um, que é influenciada, obviamente, pela antipatia que se tenha do senador, é temerário. 

Quem brada exigências de que a lei seja moldada de acordo apenas com seus interesses do momento, corre sério risco de ser vítima daquilo que tantos de nós criticamos, porque já vemos sua implantação em curso nestepaiz: o autoritarismo de uma ditadura vermelha, onde a lei só existe para tirar direitos do cidadão, em favor do estado. 

Quantas leis dão direitos ao cidadão, ao invés de tirá-los? Pois quem anda berrando histrionicamente contra o senador Aécio Neves, por ter exercido um seu direito, é candidatíssimo a não ter nenhum direito seu defendido por lei alguma. Convém analisar as questões principais sem o manto nebuloso das paixões. E do ódio. 


3 comentários:

  1. por isso quando acontece algo no âmbito politíco eu não falo nada, tu diz tudo por mim.
    parabéns mais uma vez

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  2. Dr Evil gostaria de poder analisar os fatos com isencao como a Regina faz. Mas nao consegue. E e deve confessar que foi motivo de alegria esse deslize do Paris Hilton das Alterosas, e que espera que isso ajude a enterrar a pretensao do Traira Neves de ser presidente.

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