quinta-feira, 21 de abril de 2011

A UTOPIA E O MEU ERRO

"O amor não é uma necessidade, mas uma escolha; como tudo na vida, salvo a morte. 
Escrevo sobre liberdade de escolha, porque, sem ela, eu não estaria aqui, compartilhando indignação diante das misérias pátrias fétidas." (BSchopenhauer)



Olho escanteado para a apologia de um mundo melhor. O mundo é bom. As ressalvas são para muitos que nele vivem.  Ninguém salva o mundo, porque o mundo não precisa ser salvo. Ninguém escolhe salvar o mundo. É uma necessidade coletiva, para ser aceito, seja por pose de bom-mocismo mal intencionada ou por ingenuidade. Como necessidade, não é escolha. Sendo coletiva, não é livre. Se não é escolha, individual e livre, não é durável, pois não encontra sustentação em ideias próprias. A coletividade, desprovida de ideia, só se sustenta na falta de opção. É utopia. E toda utopia  naufraga em seu próprio vazio de ideias. Da União Soviética até o movimento bicho-grilo, aquele da paz, amor, maconha e LSD, toda utopia terminou em fracasso. 

Propagar a nova era de um mundo melhor é, por vezes, uma fuga, covarde, para não enfrentar os próprios erros, falhas, os defeitos, a parte feinha que mora em cada um. Há um mundo para salvar, e os pecados alheios para perdoar. Assim, não há tempo para olhar por cima do próprio ombro, para trás, e enxergar o tamanho do rabo que cada um arrasta. E esconde.  

A manifestação mais desprezível dessa covardia, imbecil, estúpida, vulgar, imatura e inútil que vi, nos últimos tempos, foi o artigo "Eu te perdoo, Wellington", escrito por um jornalista chamado Marco Antonio Salgado Mendes. Li na manhã de hoje, via tweet espantado da Nariz Gelado. Antes de você clicar no título para ler a íntegra, transcrevo a segunda referência, indignada, que minha amiga fez ao artigo, suficiente para causar engulhos nos estômagos mais fortes: "Tirem as crianças da timeline. O monstro de Realengo merece perdão porque, coitado, não trepou como e quando queria." Essa é a visão do autor do artigo, muito bem resumida por N.G. 

Na época desse triste episódio, escrevi que o massacre nos colocou de testa para a maldade. Quem não a conhecia, pura, foi apresentada a ela por esse bárbaro crime. O bem e o mal existem, um não existe sem o outro, e seguir um ou outro é uma questão de escolha. O monstro de Realengo escolheu o mal. Foi a escolha dele. Pessoal e instransferível. Negar isso, coletivizando a opção pelo mal que o assassino fez, é ser tão perigoso quanto o criminoso. Esse último, pelo menos, fez o favor de se matar, aleluia!  

Não acredito em pureza absoluta de pensamentos e atitudes. Nossos erros é que nos tornam humanos, e negá-los é negar essa condição. É inútil a pregação eterna de harmonia, felicidade, bondade e amor sublimado e universal. O amor universal, coletivo, é sensível, e nessa condição, frágil. Não sobrevive à realidade. A falta de opção é que faz com que alguém permaneça nesse discurso até o fim. 

O monstro de Realengo, tanto teve opção, que a fez. Fez sua escolha. Agiu com base nela. Imputou sofrimento a quem jamais teria escolhido tal caminho: as famílias das vítimas, todas, inclusive as vítimas que não vieram a óbito. O tal jornalista que elaborou a defesa e o perdão ao assassino, não faz escolha nenhuma. Repete, sem originalidade alguma, a tese esquerdista [e falsa] do bem de todos. Está fadado a naufragar, com sua utopia, no fracasso da covardia coletiva. 

Para que não pensem que sou desalmada, confidencio algo em que acredito,  escolho o afeto como exemplo: quando ele é dedicado a alguém por livre escolha, é incondicional. Por incondicional, não exige troca, nem retorno. Por nada negociar, torna-se eterno. Escolhi. Guardo a minha escolha. Incondicional. Porém, individual. Tão minha, que não a divido com ninguém. "O amor não é uma necessidade, mas uma escolha". Você acha que estou errada? Ótimo. Você acaba de comprovar a minha tese: meu erro é o que me torna humana. Se crê que estou errada, por óbvio, você não erraria assim. O que te torna humano?  

6 comentários:

  1. O pior é que, para impor a utopia marxista (dita socialista) ao mundo, já foram mortas (assassinadas) 100 milhões de pessoas. Há um monumento em Washington, em memória dessas vítimas, monumento esse que nunca vimos aqui no Brasil, porque nossa mídia esconde isso, para não revelar o horror que foi esse massacre contra a humanidade. Obama provavelmente mandará derrubar tal monumento, da mesma maneira como devolveu à Inglaterra o busto de Churchill, que havia na Casa Vermelha (digo, Branca).

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  2. Estive em Washington justamente no Memorial Day. Visitei o Monumento nesse dia, e vi, de perto, o respeito que os americanos têm por essa memória.

    Cá, em Tupinicópolis, tudo falta, principalmente, memória e respeito.

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  3. Comentário sobre sua análise poderia seguir por várias abordagens. A primeira que faço é que, o ser humano não pode ser visto como um tabuleiro de xadrez. Nenhum de nós pode ser lido preto no branco porque ele só está preparado para o livre-arbítrio se houver um mínimo de estrutura psíquica e moral. Mesmo assim, nada justifica a impunidade. Cabe um ponto. O texto do jornalista lá, é pura manipulação utilizando o emocional, como costume da esquerda, comme il faut. O fato é o fato e por ele ninguém se deve levar à minúcias das particularidades. Ser humano é, também, empregar a lógica dos fatos.

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  4. Comentário sobre sua análise poderia seguir por várias abordagens. A primeira que faço é que, o ser humano não pode ser visto como um tabuleiro de xadrez. Nenhum de nós pode ser lido preto no branco porque ele só está preparado para o livre-arbítrio se houver um mínimo de estrutura psíquica e moral. Mesmo assim, nada justifica a impunidade. Cabe um ponto. O texto do jornalista lá, é pura manipulação utilizando o emocional, como costume da esquerda, comme il faut. O fato é o fato e por ele ninguém se deve levar à minúcias das particularidades. Ser humano é, também, empregar a lógica dos fatos.

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  5. O ser humano tem sempre liberdade de escolha, inclusive se tornar um lixo moral.

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  6. desde o acontecido em realengo, não toquei no assunto para não dar ao insano o que ele queria: a citação e destaque, ainda que póstumos. Mas seu texto o fez com que a coisa ganhasse um vulto diferente e aceitável.

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