domingo, 8 de maio de 2011

CAI A NOITE



Tua boca de lábios de ouro não está em mim para rir
E tuas palavras de auréola têm um sentido tão perfeito
Que em minhas noites de anos, de juventude e de morte
Ouço tua voz vibrar em todos os ruídos do mundo.

Nesta aurora de seda na qual vegeta o frio
A luxúria em perigo lamenta o sono,
Nas mãos do sol todos os corpos que despertam
Estremecem à idéia de reencontrar seu coração.

Lembranças de bosque verde, névoa na qual me afundo
Fechei os olhos sobre mim, estou para ti,
Toda a minha vida te escuta e eu não posso destruir
Os terríveis lazeres que teu amor criou para mim.

(Paul Éluard)

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