segunda-feira, 9 de maio de 2011

CAI A NOITE

 


Tu vieste o fogo então reanimou-se 
A sombra cedeu 

o frio de baixo iluminou-se de estrelas 
E a terra cobriu-se 
Da tua carne clara 

e eu senti-me leve 
Vieste a solidão fora vencida 


Eu tinha um guia na terra 
Sabia conduzir-me sabia-me desmedido 
Avançava ganhava espaço e tempo 
Caminhava para ti 

dirigia-me incessantemente para a luz 
A vida tinha um corpo 

a esperança desfraldava as suas velas 

O sono transbordava de sonhos e a noite 
Prometia à aurora olhares confiantes 
Os raios dos teus braços entreabriam o nevoeiro 
A tua boca estava úmida dos primeiros orvalhos 
O repouso deslumbrado substituía a fadiga 
E eu adorava o amor 

como nos meus primeiros tempos 


(Paul Eluard)

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