segunda-feira, 16 de maio de 2011

CAI A NOITE


Para além dos suspiros algo se insinua,
Mas não é mágoa, pois que a derrubei
Antes da agonia; o espírito se distende,
Esquece e chora;
Algo se insinua, se degusta e apraz ao gosto;
Nem tudo poderia ser desilusão;
Deve haver, Deus seja louvado, alguma certeza,
Se não de bem amar, ao menos de não fazê-lo,
E isso é verdadeiro, após a eterna frustração.

Após esse combate que os mais fracos conhecem,
Resta algo mais do que a morte;
Esquece as grandes dores e suaviza as feridas,
Elas doerão por muito tempo
Não porque é penoso abandonar uma mulher que espera
Por seu soldado sujo com a baba das palavras
Que vertem um sangue tão pungente.

Se isso bastasse, bastaria para aliviar a dor,
Arrepender-se quando estivesse consumido
Tudo aquilo que me fez feliz ao sol
E que, ao dormir, me fez sonhar
Como feliz eu fui enquanto isso durou,
Se me bastassem as incertezas e as doces mentiras me bastassem,
As palavras sem sentido poderiam suportar todo o sofrimento
E me curar os males.

(Dylan Thomas)

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