terça-feira, 17 de maio de 2011

CAI A NOITE

Um coração não como o meu tão triste
Voltando tarde para casa
Sob a minha janela vai passando
E põe-se a assoviar

Notas soltas à toa - uma balada
Fugaz - efêmera cantiga
Mas para os meus ouvidos inquietos
Um bálsamo sutil

Foi como se lá fora a triste-pia
Longe de seu itinerário
Um canto de estacatos e gorjeios
Perdesse pelo ar

Foi como se um regato borbulhante
Num leito duro e tortuoso
Sangrasse os pés ao som de minuetos
Sem ver por onde andou

Amanhã, que de novo a noite chega
Talvez enferma e fatigada
Ah Pífaro! Sob a minha janela
Vem outra vez passar.

(Emily Dickinson)

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