terça-feira, 24 de maio de 2011

CAI A NOITE

Contente,

Contente do instante
Da ressurreição, das insônias heróicas
Contente da assombrada canção
Que no meu peito agora se entrelaça.

Sabes? 

O fogo iluminou a casa.
E sobre a claridade do capim
Um expandir-se de asa, 
um trinado

Uma garganta aguda, 
vitoriosa.

Desde sempre em mim. Desde
Sempre estiveste. 

Nas arcadas do Tempo
Nas ermas biografias, neste adro solar
No meu mudo momento

Desde sempre, amor, 
redescoberto em mim.

(Hilda Hilst)

Sem comentários:

Enviar um comentário