sexta-feira, 27 de maio de 2011

CAI A NOITE



Mulher mais prezada, como me chamas, me chamas
A dizer que agora não és mais o que eras,
Quando deixaste de ser aquela que me era toda a gama,
Como no início, em nossa primavera.

Será que é a ti que escuto? Deixa-me ver-te, então,
Alerta como quando eu me acercava da cidade
Onde esperavas por mim: sim, como eu te sabia então,
Envolta no liso vestido de azul claridade.

Ou será apenas a brisa, passando em surdez
Pela planície úmida até chegar a mim,
Tu para sempre diluída em murcha lividez,
Não mais escutas, sussurro ou clarim?

E, então, eu; avulso adiante,
Folhas sobre mim tombando,
O terral coando-se fino pelo espinheiro oscilante,
E a mulher chamando.
(Thomas Hardy)

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