sexta-feira, 10 de junho de 2011

CAI A NOITE



Tenho às vezes um sonho estranho e penetrante 
Com uma desconhecida, que amo e que me ama 
E que, de cada vez, nunca é bem a mesma 
Nem é bem qualquer outra, e me ama e compreende. 

Porque me entende, e o meu coração, transparente 
Só pra ela, ah!, deixa de ser um problema 
Só pra ela, e os suores da minha testa pálida, 
Só ela, quando chora, sabe refrescá-los. 

Será morena, loira ou ruiva? — Ainda ignoro. 
O seu nome? Recordo que é suave e sonoro 
Como esses dos amantes que a vida exilou. 

O olhar é semelhante ao olhar das estátuas 
E quanto à voz, distante e calma e grave, guarda 
Inflexões de outras vozes que o tempo calou. 

Paul Verlaine



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