segunda-feira, 20 de junho de 2011

CAI A NOITE



Aproximei-me de ti; e tu, pegando-me na mão, 
puxaste-me para os teus olhos 
transparentes como o fundo do mar para os afogados. 

Depois, na rua, 
ainda apanhamos o crepúsculo. 
As luzes acendiam-se nos carros; 

um ar diferente inundava a cidade. 
Sentei-me nos degraus do cais, em silêncio. 
Lembro-me do som dos teus passos, 
uma respiração apressada, 

ou um princípio de lágrimas, 
e a tua figura luminosa atravessando a praça 
até desaparecer. Ainda ali fiquei algum tempo, 

isto é, 
o tempo suficiente para me aperceber de que, 

sem estares ali, 
continuavas ao meu lado. E ainda hoje 

me acompanha 
essa doente sensação que 
me deixaste como amada 
recordação.
 

Nuno Júdice

1 comentário:

  1. Despedidas como este lindo poema existem e são uma das coisas mais tristes que há , além de ficarem assombrando a pobre alma penada por muito tempo.
    Nunca esqueci...

    Abçs!

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