domingo, 26 de junho de 2011

CAI A NOITE

O medo que não se confunde. Por existir se ganha 
e nos pertence. Sílabas ou linguagem, 
busca o centro nas mãos, nos olhos, o contato 
incessante. Percorre os muros da memória, 

na penumbra da palavra se instala. Nada 
partilha. Como um monólogo se mascara 
de gemas, rumores e gotas de ervas. Flui 
e estilhaça as pálpebras, domina as casas, 

abala os sismos. Ara o corpo, viva árvore 
em ascensão, ronda a pele e os jorros do ar. 
Até que nos toma e molda o ventre, descobre 

o preço diário da invisivel folhagem 
solar. É o que se oculta. Livor, sílaba, 
margem eterna da inicial prudência. 

Orlando Neves

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