segunda-feira, 27 de junho de 2011

CAI A NOITE



De um e outro lado do que sou, 
da luz e da obscuridade, 
do ouro e do pó, 
ouço pedirem-me que escolha; 
e deixe para trás a inquietação, 
a dor, 
um peso de não sei que ansiedade. 

Mas levo comigo tudo 
o que recuso. Sinto 
colar-se-me às costas 
um resto de noite; 
e não sei voltar-me 
para a frente, onde 
amanhece. 

Nuno Júdice

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