sábado, 4 de junho de 2011

DIÁLOGO SOBRE A INSOLÊNCIA

"Toma posse a comandante do desgoverno das Trevas III. 
Sua equipe, que forma a República Popular do Chiqueiro, é a sua (dela) cara.  
Na foto oficial, a legenda perfeita será PECCAVI. Do latim, "eu pequei".  
Não é uma confissão de culpa, antecipada, das estercadas éticas, morais e de incompetência administrativa, que serão cometidas. 
Peccavi é, antes, uma jactância: "Eu pequei. Agora já faço parte dos seus. 
Me aceite, integralmente, em sua legião". " 
Veneno Veludo, 01 de Janeiro de 2011


"Não estou nem aí. Pouco se me dando que falem. Tanto faz dar no pé quanto na cabeça." Foi isso que vi na "entrevista" de Antônio Palocci ao Jornal Nacional, na noite de sexta-feira. Não assisti, na hora. Vi o vídeo da entrevista na manhã deste sábado. Nervoso na primeira metade, mais tranquilo, porém inútil na segunda, Palocci concedeu sua Declaração Universal de Direitos Esquerdistamente Humanos-Civis-Legais-e-Morais do Enriquecimento Meteórico ao repórter Júlio Mosquera. Muito bonzinho para gravar passagem, se vira até bem em entradas ao vivo, mas obviamente, foi escolhido exatamente por não ter nenhum estofo para "peitar" o Ministro-Chefe da Casa Civil com alguma pergunta contundente, e assim, além de não causar constrangimentos ao quase futuro ex-todo-todo, também não causa nenhum à Rede Globo: dele ninguém cobra nada. Se o entrevistador fosse um nome de maior peso na cobertura política da TV, a emissora e o Jornal Nacional seriam alvos de críticas maiores.

Insolência, foi só o que vi: a preocupação de Palocci deve ser, nesse momento, a mesma que a dos filhos de dona Erenice, a outra ex-toda-toda que também praticou "consultoria" através da influência da Casa Civil petralha: quantos "contratos" irei perder com essa merda toda? Não passa disso. Qualquer cavalgadura deste degoverno, desde os tempos do Expirado até agora, é íntimo da insolência, e com ela, faz ofício de corpo presente da moralidade no trato com o público a favor de seu privado. Soberba e empáfia diante da opinião pública, e desdém com a lei que juraram cumprir, no ato da posse, são marcas registradas do desgoverno das Trevas.

Palocci topou a entrevista para "se livrar". Sim, ele acredita nisso. Dona presidente autorizou, na expectativa oposta à de Palocci: que ele não conseguisse se livrar, e aí ela se livra dele de vez. Atreve-se, ele, a permanecer no cargo: insolência. Tantos pecaram antes dele, ele próprio pecou antes... Outros tantos pecarão depois. Por que então, se preocupar? Insolência! Pois nem livrou-o da suspeita de irregularidades em suas atividades, nem livrou-o de uma exoneração, disfarçada de "pedido de demissão para dedicar-se à sua defesa.  Questão de tempo. 

Demitir, de público, ou via recado da imprensa, como a então ministra exigiu que o Expirado fizesse com Marina Silva, ou como foi feito com Cristovam Buarque, a presidente não fará. Palocci não é um Gilberto Carvalho, no sentido exato que o trocadilho permite, mas também ele carrega as suas (do PT) pás. Ou alguém aí acha que a grana toda ficou só para O Consultor de Sucesso? Temos que esperar que todos eles entrem em acordo, para saber quando é que ele sai. Tic-tac, tic-tac, tic-tac.

Insolência, essa entrevista. Insolência, esse desgoverno. Insolência, mas também pode ser chamada de CARA-DE-PAU. Porque, para essa gente, "eu pequei" não é confissão de culpa. É jactância.

2 comentários:

  1. e ele ainda encerra apelando para boa-fé do povo. ele deve achar que é sinônimo de burrice.
    e isto sem falar que é raro, muito raro alguém aumentar o patrimônio 20 vezes em 4 anos sem ser com loteria ou herança

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  2. Lelezinha_0906/06/11, 00:31

    Ótimo texto,amiga Regina!
    Vc está cheíssima de razão!

    Mas,o que podemos fazer com essa corja tão corrupta?
    Morro de raiva qdo me lembro da cara dele, uma cara de escárnio,como se estivesse nos concedendo uma "graça" ao nos dirigir uma explicação-desculpa!

    Até qdo,minha amiga,teremos paciência c/ esses piratas do país?

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