quinta-feira, 16 de junho de 2011

DIÁLOGO SOBRE O APRENDER

"É impossível um homem aprender aquilo que ele acha que sabe." (Epicleto)

Quem passa pela vida e nada aprende é como boi no pasto: morre com muita carne, mas sem nenhum conhecimento. Aprender é desprender. Libertar-se de conceitos, preconceitos, manias, vícios. Falar em aprender sem dar importância à experiência é  totalmente nulo. Relacionar-se e instruir-se são caminhos, mas arriscar-se e viver experiências ensina muito. A experiência de aprender já ensina.

Aprender é tarefa por demais difícil. Precisa do talento. Uma soma deles, uma soma de habilidades instrínsecas, porque não se aprende a aprender sem estar predisposto para tal. Precisa oxigenar o cérebro, precisa despir-se de arrogâncias, precisa tempo, espaço. Precisa saber reconhecer a oportunidade de aprender, e a ela não deixar escapar. Precisa ter memória. Energia para usar e dispor do que aprendeu, pois é a experiência que grava, marca, registra a aprendizagem.

Comumente, diz-se por aí, todo mundo tem o que ensinar, não há ignorante que não tenha. Discordo e dispenso! Aprender ignorância? Aprender estupidez? Não quero aprender com o erro. Não gosto de erros, não gosto de errar, detesto me descobrir errada e não quero aprender com meus erros, simplesmente porque não quero cometê-los. Eles existem, são muitos, mas são involuntários. Não concebo errar para aprender. Menos ainda, quero aprender com os erros dos outros. Não tenho jamais a pretensão de permitir que meus erros sirvam de lição de vida para quem quer que seja, logo, não pretendo que outros errem para que eu aprenda. Então, dispenso os erros alheios. O erro não ensina nada, no máximo, te obriga a inventar ou descobrir outro modo de resolver, até o acerto. O caminho para o acerto ensina, não o caminho para o erro. Apologia ao erro é complexo de inferioridade, de coitadismo. Da vida, dispenso o papel de vítima.

Quero, muito mais, aprender com os acertos. Dos outros, sim! Olhar para o lado, admirar aquela pessoa que é grande por seu pensamento, por suas palavras, por suas ações, e não aprender nada com ela é insanidade. Quero por perto quem me inspira. A inspiração é para acertar, não para errar. Quero aprender a conquistar a vontade de outrem me ter por perto, para me ensinar. O direito de aprender com quem me inspira, quero essa conquista. Da vida, aceito o papel de privilegiada.

É cômodo manter-se na zona de conforto do alto da qual se possa exercer, sobre outros, influências. A evolução só acontece mediante o desafio, e manter-se ao lado de quem não te desafia, não ensina outra coisa exceto a exercer a preguiça - um direito - mas isso fica para outro Diálogo.

Aprendi a aprender só com os bons. E isso foi meu pai que me ensinou. Aprender a aprender exige uma vida inteira, e até mesmo para aprender a morrer é preciso aprender a viver.  Aprender nos confere um ar sublime, genial. Se, naquele caminho para o aprendizado, até acertar a fórmula do ouro, descobrimos a pólvora, a gravidade, as leis naturais, a porcelana, o esmalte, o perfume, o clip de papel, a nanotecnologia, a amizade, o afeto... então estamos bem!

Me permitam, os bons, os verdadeiramente bons, que eu chegue e fique por perto. Que eu viva por perto. Prometo não aprender a desaprender. Porque aprender é a coisa mais inteligente que sei fazer.

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2 comentários:

  1. Parabéns Regina!
    Este artigo é uma jóia preciosa no meio da mediocridade que nos cerca, no BR ,quando se fala em aprendizado.
    Aprender a aprender é o começo de tudo.
    Eu também adoro aprender e vivo observando pessoas e aprendendo coisas.
    Falta-me o tempo necessário para aprender tantas outras coisas que eu adoraria, como falar e escrever bem em outros idiomas.
    Todas as coisas do conhecimento humano me interessam.
    Parabéns mesmo, também pelas belas fotos que enfeitam todos os artigos que leio aqui.
    Abçs!

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  2. Muito legal! Parabéns!

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