quinta-feira, 2 de junho de 2011

O ESTUPRO DA MISÉRIA PELA PROPAGANDA DO DESGOVERNO*

"Encontram-se, a cada passo, nos países "democráticos", instituições que concorrem para esvaziar o ideal de uma verdadeira comunidade. O ideal realizado é o do pai onipotente em relação ao filho que dele depende, do único responsável em relação ao irresponsável, do líder em relação ao liderado." (Sergei Tchakhotine)


A República Popular do Chiqueiro (desfigurada, com um porquinho fora, Dutra, outro capengando, Palocci), na pessoa de sua presidente, lança hoje, com estardalhaço que lhe é peculiar, o Programa Brasil sem Miséria. As manchetagem da imprensa genuflexa será do tipo "presidente cumpre promessa de campanha", como se o programa já tivesse colocado fim em qualquer condição de miséria nestepaiz, que, segundo a própria propaganda que a alçou ao cargo que agora ocupa, já nem mais existia: o Expirado já teria solucionado esse "probleminha", em sua gestão marcada pelo espetáculo do crescimento. 

O Programa Brasil sem Miséria tratar-se-há apenas de mais uma peça publicitária que não terá planejamento, execução e muito menos, resultados, exceto o custo que ele representará para o gazofilácio do estado. Foi assim com o PAC 1, tanto que precisou de outra peça publicitária, o PAC 2, para fazer de conta que tanto trabalho estava sendo realizado. 

Competência no desgoverno da Idade das Trevas é como galinha com dentes. Neste ano, para cada um dos programas lançados com pompa e circunstância, há, no mínimo, uma ação do próprio desgoverno, que o desmente. Prova  que, de fato, não a propaganda totalitária que incute a ideia de que a gerentona trabalha diurna e NOTURNAMENTE pelo bem do povo, não passam de espumas ao vento. Mas todos têm outra coisa em comum, além da propaganda: orçamento de bilhões de reais para "investimento".

Janeiro: a versão III do desgoverno da Idade das Trevas estabelece medidas que restringem o acesso dos cidadãos doentes de câncer à terapêutica quimioterápica, desmentindo o programa anteriormente lançado pelo SUS, pois "não ficava nada bem que a imprensa e a sociedade fizessem uma comparação do tratamento terapêutico dispensado à então candidata presidencial e aquele ordinariamente abandonado aos cidadãos, pacientes do sistema único de saúde."

Fevereiro: a presidente "lança" o programa Farmácia Popular, noticiado como cumprimento de promessa de campanha, obviamente, para distribuir medicamentos para pressão alta e diabetes, de graça. Um estranho programa, a considerar que tais medicamentos já eram distribuídos nos postos de saúde, gratuitamente. Funciona? Para o Ministério Público Federal não, pois precisou o órgão acionar a Justiça para garantir o fornecimento dos medicamentos aos diabéticos, como por exemplo, no Ceará. Nem preciso dizer que toda sorte de doenças carece de distribuição de remédios, sendo necessária, ordinariamente, a intervenção do mesmo MPF para garantir ao cidadão o acesso à saúde básica conforme determina a Constituição. 

Março: A boa gestora, comprovadamente uma mãezona afável e carinhosa, promove o lançamento retumbante do programa que se pretende de primeiríssimo mundo para o atendimento a gestantes, pelo SUS: Rede Cegonha, que previa também o atendimento neonatal. Não só o programa pré-natal não funciona, fato ressaltado pelo Procurador da República, Ailton Benedito: “o índice nacional de mortalidade materna denota a deficitária assistência à saúde oferecida pela rede de do SUS às gestantes brasileiras”. Também morrem crianças na fila de espera por uma UTI, nos hospitais brasileiros. Procure no YouTube "falta de UTIs" e você verá exemplos, em vídeo, do Brasil inteiro.  

Um vácuo na propaganda estatólatra se abriu nos dois meses subsequentes. Em abril, certamente, por excesso de trabalho, planejamento e execução das inúmeras ações eficazes que o desgoverno das Trevas III tem tomado, não "criaram" nada de novo. Em maio, segue paralizado: além da pneumonia "leve" (com duração de quase 30 dias) que vitimou nossa profícua, tenaz e capaz presidente, seu porquinho Antonio Palocci entrou no olho do furacão daquilo que é tão comum na era petralha: denúncias de tráfico de influências na Casa Civil, que lhe valeram o enriquecimento súbito. Desgoverno parado, também, porque precisou (não) negociar com o PMDB e outros aliados, em três semanas de votação do Código Florestal, sendo, a propósito, derrotado.

E junho chega com essa belezinha de programa que se pretende promover a erradicação da miséria, a única miséria que o desgoverno jamais teve a intenção de eliminar. Um desgoverno que carece dos bolsistas, mas que carece de uma massa média que também vive na miséria: a da ilusão, do não pensar, do não questionar. A miséria da ignorância, que é a única porta de salvação para um regime totalitário: quanto mais gente despensante, menos gente que lhe cobre, não só ações, como também decência republicana como gestor dos recursos públicos. Quanto mais gente despensante, tanto mais  essa gente é violada, estuprada pela propaganda de felicidade geral da nação. E tanto menos gente pensante para apontar que para esse mesmo desgoverno, esse mesmo estado totalitário, falar de democracia, é um artifício. Nem os movimentos que pregam códigos em nome da liberdade de expressão ou da igualdade de direitos, nem programas teóricos que alardeiam o bem-estar material, têm poder, por si sós, de libertar os homens de uma servidão psíquica, ante a violação organizada. Organizada pelo estado totalitário, propagandeada genuflexamente pela imprensa.

Arquivo:
NÃO CONFIO NA PRESIDENTE


*O título é uma referência à obra "A Violação das Massas pela Propaganda Política" de Sergei Tchakhotine. Lançado em 1938, re-editado em 1939, com o início da Segunda Guerra Mundial, traça um diagnóstico preciso das chaves da propaganda alemã e italiana evidencia, também as práticas do então regime soviético. Leitura recomendada.

3 comentários:

  1. De melhor que o Fome Zero, a primeira bandeira do EX; essa poha do Brasil Sem Miséria só tem o estardalhaço de seu lançamento absolutamente midiático. Agora é só tocar no rádio que vira hit, igual como se faz com aquelas músicas carro-chefe de qualquer cantor de brega.

    ResponderEliminar
  2. querer acabar a miséria por decreto só demonstra a miséria moral dos governantes

    ResponderEliminar
  3. Mais uma propaganda enganosa.Só isto.
    O triste é que afeta pessoas de verdade.
    Abçs!

    ResponderEliminar