sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

A TEORIA DA BALA ÚNICA

De 2011 para cá, quando publiquei este post pela primeira vez, tudo mudou e nada mudou. Desmudou, mudou e não, nem é preguiça de redigir outro. É que, justamente pelas mudanças e desmudanças, convenci-me mais ainda que a Teoria da Bala Única, por mim defendida, não é teoria.

Feliz dia dos Namorados, aos enamorados de qualquer hemisfério. E aos sem-namoro também, já que "quem foi que disse que é impossível ser feliz sozinho?"


Inevitável: a Teoria da Bala Única que já é conhecida, remete ao assassinato do 35º presidente dos Estados Unidos da América, ocorrido em 22 de novembro de 1963, em Dallas: três em cada quatro americanos acreditam que a morte de John Fitzgerald Kennedy foi o resultado de uma grande conspiração. 


Pois bem, para investigar o assassinato de JFK, os E.U.A formaram a Warren Comission Exhibit. Existem mais de 20 teorias para o crime. Mas a Comissão Warren, como ficou conhecida, concluiu sua investigação não com uma explicação, mas com um enigma. Criado pelo senador republicano Arlen Specter, membro da comissão, surgiu a Teoria da Bala Única: uma só bala feriu Kennedy de morte no pescoço, e causou as cinco feridas no governador Connally. Não foi à toa que, por isso, recebeu o apelido de Bala Mágica. Bem, o nome pode ser o mesmo, mas a teoria não é. Antes que imaginem que eu possa acreditar nessa "conclusão Warren", informo: a minha Teoria da Bala Única nada a ver com o assassinato mais polêmico da história mundial.


Os românticos incuráveis acreditam que existe, flanando por aí, o que seria a sua alma gêmea. Que, para "funcionar", já é impossível que se trate de uma, por óbvio: a teoria da "alma gêmea" seriam duas almas que foram criadas a partir da mesma centelha divina, e por isso, destinadas uma à outra. Daí muitos passam a vida procurando por essa alma gêmea, a outra banda, a metade da laranja, etc, etc. Pessoas há que mesmo sabendo que não existe possibilidade de ser real, e menos ainda, não dispõem de relacionamento com a sua pretensa "alma gêmea", tentam convencer outros que ocorre, como se fosse possível sequestrar e manter prisioneiro o sentimento que sequer foi conquistado, na verdade. Mas esses são psicos, ou apenas pessoas mal intencionadas. De qualquer forma, esse post não é para falar sobre essas, que nem merecem um dia como o de hoje; ponto, volta a linha, parágrafo.

Sentimentalismo padrão não faz parte das características da minha boa alma (é boa, a minha alma, podem acreditar, principalmente quando sou má), muitos já sabem disso. Afinal, sou fã de Dexter Morgan, não de Ryan Atwood e obviamente, nunca assisti a The O.C. Prefiro Jack Bauer a qualquer galã canastrão de novela. Mas exceto o iceberg que sou em momentos de crise, sou afável, carinhosa e passional (leonina, isso diz muito). Porém para mim paixão, carinho, afeto e amor não dependem, de forma alguma, de arroubos de cafonices para existirem. Então aqui conto um pouco do que penso sobre esse tema. Mas do meu jeito, com a minha cara. Totalmente politicamente incorreta, afinal, meus sentimentos são para os fortes. Gente fraquinha não apenas não dá conta do recado (comigo) como corre, horrorizada... Vamos lá. Esta é a Teoria da Bala Única.

O "amor de sua vida".

Se todo mundo tem alguém que lhe é destinado, em algum lugar, esse alguém carrega uma bala. Única. E se você tiver sorte na vida (meu pragmatismo me obriga a confessar que não acredito na sorte, apenas na competência de procurar da forma correta, inclusive, usando a razão), vai encontrar essa pessoa. Seu atirador pessoal. Não é um terceiro (O Cupido) que atirará algo em você (A Flexa). É a outra pessoa. O outro ser humano. O(a) dono(a). Quem tem o poder de carregar a Bala Única. E a arma que a fará disparar, em sua direção. 

Quando esse encontro acontecer, vai disparar a bala. Ela atingirá o seu coração, e daí, não tem mais ninguém! Aconteça o que acontecer: fatos comuns da vida cotidiana, que tiram o glamour da ilusão do amor eterno, mas que são reais: separação, infidelidade, divórcio, morte, seja o que for, não adianta. Não terá outra pessoa. Não será possível encontrar outra bala. Porque aquela já te atingiu. Seu corpo e sua alma, tirados de você pelo alcance da Bala Única, já têm dono(a).

Alguns "atiradores" chegam adiantados. Outros, atrasados. Quase que a totalidade deles, é muito ruim de pontaria, não acerta o alvo. Mas um, um ser humano, uma pessoa, detém as qualidades que determinarão que o alvo seja atingido. Na mosca. Uma única vez. Se você tiver sorte (ou competência), e encontrar sua Bala Única, ao invés de aliança, ofereça (ou receba,e nesse caso você terá muito mais sorte ainda), um pingente de uma bala de revólver, gravado com seus nomes. "É você." 

As declarações, baseadas na Teoria. 


Poderia ser algo parecido com: És tu. Atingiste meu coração, entrego-te minha vida. Eleva o meu espírito, para onde quer que seja, que necessário seja. Não importa mais porque agora, é tudo teu. 

(Ah, vá... não achou romântico? É muito mais inteligente do que aliança, menos óbvio do que coração de Sonho de Valsa, etc. E muito, muito menos brega e mais, muito mais muderninho!)

Como disse ele, o João Guimarães Rosa, "Sempre que se começa a ter amor a alguém, no ramerrão, o amor pega e cresce é porque, de certo jeito, a gente quer que isso seja, e vai, na idéia, querendo e ajudando, mas quando é destino dado, maior que o miúdo, a gente ama inteiriço fatal, carecendo de querer, e é um só facear com as surpresas. Amor desse, cresce primeiro; brota é depois." 

Teoria da Bala Única. Não discuto. Eu vivo. 


9 comentários:

  1. Sua teoria acaba de conquistar mais uma adepta.
    Foi a mais sensata e sensacional explicação que já encontrei para o encontro do amor e da "outra metade".
    E mesmo sendo politicamente nada correta, você consegue, se encher de poesia pra escrever. 'Dorei, amiga. Bjo!

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  2. sergio nogueira10/06/11, 14:24

    Gostei da sua visão, moderna e criativa. Certamente dará resultado!

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  3. Rock n Roll ;)


    Lunar

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  4. Adorei!
    Então está explicado!Tudo se encaixa:
    Os que me miraram eram ruins de pontaria e eu também devo ter sido ruim de pontaria.
    Pergunta pragmática:
    Quantas balas tem neste revólver,só uma, umazinha mesmo?
    No more chance,ever?

    Bjs!

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  5. Que lindo! Que profundo! Realmente você tem mais que se dedicar ao máximo aqui, porque aqui como lá és certeira, sendo que aqui é aonde você realmente é feliz.
    Bjus
    Indiacui

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  6. Eu acho que é Bala Única, mesmo. E acho que o único modo de não sofrer por isso, é não ter a obrigação de procurá-la. Se ela atingir o peito, bem. Senão... bem, também. Fazer o quê?!

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  7. Vê lá hein. O último que falou em bala única foi o colorido e deu aquela merda. Por enquanto o cacique já deu dois tiros.

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  8. Adorei esta teoria operacional!
    O problema é que tem muitos atiradores que são "mal elementos"!
    Daí já viu, não é? Mas se for o dono da bala única, seja o que deus quiser, ainda mais que é predestinado! Rs!

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  9. Já enviei muitas flores ....
    Já perdi muitos amores ....
    Por conta disso sinto dores ....
    E não aprecio mais as cores ....
    .
    @BobWebBB

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