quinta-feira, 9 de junho de 2011

A TEORIA DO ESPANTALHO

Espantalho: (es.pan.ta.lho) substantivo masculino.
1. Boneco feito de pano, recheado de palha, geralmente em tamanho natural, 
usado para espantar aves predadoras em plantações. 
2. Indivíduo feio ou descuidado com sua aparência; ESTANDARTE; MARMOTA
3. Quem é inútil, desastrado, sem préstimo; IMPRESTÁVEL; PASPALHO (Caldas Aulete)


Desde os tempos de colégio, "teorias" me atraem. Naquela ocasião, fui apresentada à Teoria do Gato Flutuante, pelo meu professor de física, José Américo, o terror dos pais das alunas, pelos seus belos olhos da cor azul-calcinha (definição do próprio). Em tempos de internet, essa teoria deve ter se propagado, mas para quem não conhece, um resumo básico: um gato é jogado para cima, e sempre cai com as costas para cima, de pé; o pão com manteiga é jogado para cima, e sempre cai de "costas", com a manteiga para baixo. Se passar manteiga nas costas do gato, e jogá-lo para cima, a soma das duas leis o impedirá de cair de costas e também de cair de pé, logo, o gato irá flutuar. Em 1984, no meu primeiro ano do então segundo grau, isso era muito engraçado!

De 1984 para cá, "Teoria" tornou-se tema atrativo, porque dentro de alguma piada, como a do Gato Flutuante, ou absurdo, como as Teorias da Conspiração, a gente exercita a criatividade e consegue explicar tudo, e até mesmo, convencer as pessoas. O segredo para a teoria funcionar bem, é misturar suspense, charme, humor e mentira à verdade. Porque a verdade, para ser bem aceita, precisa de uma dose de fantasia. Verdade pura não é verossímil, nunca. 

No fim da tarde da última quarta, 8, o Coronel, do Coturno Noturno, informou que dona Ideli Salvatti assumirá o Ministério das Relações Institucionais. Pensando (em que pese as tentativas do desgoverno das Trevas em imbecilizar todo mundo e fazer de todos nós, comedores de grama, tal e qual suas cavalgaduras), eu tentava encontrar uma justificativa plausível para a assunção da, por hora, Ministra da Igualdade da Traíra, Ideli, ao posto do cai-cai Luiz Sérgio, o Ministério das Relações (oi?) Institucionais (oi?).  Não casou. Não combinou. Não ornou. Até que surgiu a Teoria do Espantalho.

Quem conhece dona Ideli, a senadora que competia em histrionismo com Heloíza Helena? Apelidada de Um Grito à Procura de uma Ideia, é uma destemperada criatura cuja única contribuição era fazer discursos, aos berros, de total subserviência ao PT e ao desgoverno das Trevas I e II. De nada fina estampa, de nada finos modos, nunca se soube que cultivou amizades e bom relacionamento por onde passou, nas dependências do Congresso Nacional. Fora dele, deve ter tido muito menos sucesso, ainda. Que contribuição daria uma sujeita com tais características, para as boas Relações Institucionais do desgoverno das Trevas III?

A resposta, como em toda boa Teoria, não está no cerne desta questão. Está numa outra ponta solta. Remete à assunção da senadora Gleisi Hoffman à Casa de Irene Civil*: em que pese toda a imprensa genuflexa tentar vendê-la como grande gestora, não se tem conhecimento de algo bom e grande que ela tenha realizado, como diretora em Itaipu. Todos citam a tal qualidade, mas não contam nenhuma história de sucesso que a prove. Curitiba, que conhece a Gleisi muito mais do que Brasília, deu a medida de sua competência como gestora: mais de 80% dos eleitores disseram não, não serve para ser nossa prefeita. E elegeram Beto Richa. Enfim, eu sempre desconfiei que a sua escolha foi apenas um tampão, para não tirar Paulo Bernardo de onde está, e abrir outro buraco complicado para dona presidente administrar. Bota lá na Casa de Irene Civil uma boneca, com o narizinho metido a ser bom no que faz (oi?) e deixa que a própria presidente tome do conta do boteco copo sujo.

A Narizinho Gleisi chegou chegando, distribuindo telefones de sua assessoria de imprensa, informando que está totalmente disponível para entrevistas: nem tomou assento, nem tomou pé de como as coisas não andam nada bem naquela Casa de Irene, e já está prontinha para aparecer diante das câmeras e microfones, contando tudo o que fará de espetacular. Ahã. O nome disso é vaidade, não competência. 

Não a Casa de Irene Civil petralha, mas a Casa Civil da Presidência da República é um ministério importantíssimo. É como se fosse o primeiro-ministro, mesmo, o seu ocupante. Demanda tudo do Palácio para o país, e decide tudo, do país para o Planalto. Tudo. Manda até no Tesouro Nacional. Se o chefe da Casa Civil determinar, o Banco Central faz. Ou qualquer outro. É muito poder, muito trabalho (se houver seriedade) e requer uma série de habilidades latentes de seu titular. Não vejo nenhuma delas em Gleisi, e nem vou me desculpar po isso. Logo, só vejo que dona presidente, apesar de gostar da sua "Loura", e de confiar nela, pelo seu histórico também beeeem petista, sabe que terá sérios problemas ali. Como manter a Casa de Irene Civil fora do foco, então, se Narizinho não está disposta a ser discreta? Botando um Espantalho, plantado no Planalto, para espantar os pássaros, sejam eles do meio empresarial, político, midiático ou congressista.

Preciso explicar mais sobre a Teoria do Espantalho? A Cuca, a Narizinho e a Espantalho, no Sítio do Pica-Planalto Vermelho.

*Não faz a menor ideia por que chamo a Casa Civil de Casa de Irene Civil? Clica no link lá em cima. Vai ouvir Agnaldo Timóteo (ahãm) cantando A Casa de Irene. Vai entender direitinho. 

4 comentários:

  1. Prá começo de conversa, segundo os físicos, as teoria são todas explicáveis em condições controladas de laboratório. Logo, é possível sim se ver o gato flutuando e justificar todas as explicações conspiratórias.
    Continuemos. Quando o coronel postou sobre a chegada do berro eterno ao MRI (desde já proponho trocar para SAI-Secretaria de Assuntos Institucionais); conversamos sobre o espetáculo que será a briga de travesseiros entre a bela e a fera, transmitida ao vivo pelo SporTv, mas ainda não lhe havia aflorado a teoria do espantalho.
    Assim é possível que nosso investimento na pipoca para o espetáculo esportivo seja o mais indicado no momento.

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  2. menina, eu confesso que tenho um compacto simples (não, não é do seu tempo) do nico fidenco. e realmente que lugarzinho para entrar e sair gente...
    mas, mesmo sabendo que neste governo, tudo pode acontecer, eu prefiro pensar que a dona presidente não fará isto

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  3. Cacique, você está certo. A Teoria das Penas Voando, de ontem a noite, foi anterior. A Teoria do Espantalho, criei hoje pela manhã. Motivada não pela do Gato Flutuante, na verdade.

    Vou confessar, aqui: foi pelo tweet da Cuca, Narizinho e Rabicó do BSchopenhauer. Perguntei quem seria a Ideli, no Sítio. Daí ele foi para a academia, malhar o corpo, e não malhou o cérebro, saca? Não me sugeriu nenhum personagem, e eu fiquei com um vazio existencial, por isso, hehehe.

    Quando comecei a redigir a Teoria da Bala Única (contarei essa no dia dos namorados, para os pobres românticos incorrigíveis, mas com meu tom bélico de sempre, rsrs), veio a Teoria do Espantalho, num estalo da imaginação hiperativa!

    Mas a Teoria das Penas Voando tem seu lugar. E sua pipoca!!!

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  4. Marcinha, mas é claro que compacto simples é do meu tempo!

    De criança, mas é. Eu tinha vários, cor-de-rosa, azuis, verdinhos....rs. De historinhas infantis.

    Meu pai tinha vários, meu irmão mais velho, também. Não sou tão novinha quanto eu merecia ser, rsrsrs.

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