sexta-feira, 1 de julho de 2011

CAI A NOITE



Como corre a gazela 
pela sombra dos bosques, 
enlouquecida pelo próprio perfume, 
assim corro eu, enlouquecido, 
nesta noite do coração de maio 
aquecida pela brisa do Sul. 

Perdi o caminho 
e erro ao acaso. 
Quero o que não tenho, 
e tenho o que não quero. 

A imagem do meu próprio desejo 
sai do meu coração 
e, dançando diante de mim, 
cintila uma e outra vez, 
subitamente. 

Quero agarrá-la, mas escapa-se. 
E, já longe, chama-me outra vez 
do atalho ... 
Quero o que não tenho 
e tenho o que não quero. 

Rabindranath Tagore

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