sábado, 30 de junho de 2012

CAI A NOITE


Não diga o meu espelho que envelheço,
se a juventude e tu têm igual data,
mas se os sulcos do tempo em ti conheço
então devo expiar no que me mata.

Tanta beleza te recobre
e deu tais galas a vestir a meu coração,
que vive no teu peito e o teu no meu.
Mais velho do que tu serei então?

Portanto, meu amor, cuida de ti como eu,
não por mim, por ti somente
te cuido o coração, que guardo aqui
como à criança a ama diligente.
    

Não contes com o teu se o meu morrer.
Deste-me o teu e o não vou devolver.

William Shakespeare

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