sábado, 9 de julho de 2011

CAI A NOITE



Tive o jeito de rir, quando menino, 
Até beber as lágrimas choradas: 
Com carantonhas, gestos, desatino, 
Passou a nuvem e os pequenos nadas. 

A rir de escuridões, de encruzilhadas, 
Tornei-me afeito logo em pequenino; 
Porque ri é que trago as mãos geladas, 
E choro porque ri do meu destino. 

Vivi de mais num mundo idealizado 
Comigo só: E só de mim descreio 
Entornava-me riso a luz em cheio 

Quando o meu mundo foi principiado; 
Rio agora que não sei donde me veio 
Sempre o mal que me trouxe o bem sonhado. 

Afonso Duarte

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