domingo, 10 de julho de 2011

CAI A NOITE



Por esta solidão, que não consente 
Nem do sol, nem da lua a claridade, 
Ralado o peito pela saudade 
Dou mil gemidos a Marília ausente: 

De seus crimes a mancha inda recente 
Lava Amor, e triunfa da verdade; 
A beleza, apesar da falsidade, 
Me ocupa o coração, me ocupa a mente: 

Lembram-me aqueles olhos tentadores, 
Aquelas mãos, aquele riso, aquela 
Boca suave, que respira amores... 

Ah! Trazei-me, ilusões, a ingrata, a bela! 
Pintai-me vós, oh sonhos, entre as flores 
Suspirando outra vez nos braços dela! 

Bocage

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