terça-feira, 19 de julho de 2011

CAI A NOITE


Porque ainda irei
por neve sem lei
aonde bem sei
que espera silente?
Há-de aguardar
possa eu poupar
o tempo a gastar
com outra gente.

Quando eu me farte
do mundo a ser parte,
e quando mais arte
já sobre ao que sei,
tempo é de ir aonde
o cipreste a esconde,
como quem responde:
Enfim, cá voltei.

Se o dia chegar
de ninguém negar
o que eu procurar,
e ainda eu não for
(com boa medida
ao ócio atribuída
no prazer sem brida),
 
paciente é o amor.


Não venham ralhar-me
por meu demorar-me
e nem perguntar-me
porque me fiquei.
Cuidados me chamam,
amores me inflamam,
Ela é dos que não clamam:
atura-me, eu sei.

Thomas Hardy

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