sexta-feira, 22 de julho de 2011

CAI A NOITE



És ao mesmo tempo o céu e o ninho. 

Meu belo amigo, aqui no ninho, 
o teu amor prende a alma 
com mil cores, 
cores e músicas. 

Chega a manhã, 
trazendo na mão a cesta de ouro, 
com a grinalda da formosura, 
para coroar a terra em silêncio! 

Chega a noite pelas veredas não andadas 
dos prados solitários, 
já abandonados pelos rebanhos! 
Traz, na sua bilha de ouro, 
a fresca bebida da paz, 
recolhida 
no mar ocidental do descanso. 

Mas onde o céu infinito se abre, 
para que a alma possa voar, 
reina a branca claridade imaculada. 
Ali não há dia nem noite, 
nem forma, nem cor, 
nem sequer nunca, nunca, 
uma palavra! 


Rabindranath Tagore

1 comentário:

  1. Li este poema enquanto imaginava as cenas descritas.
    Senti muita paz,calma e silêncio.

    Abraços

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