quarta-feira, 27 de julho de 2011

CAI A NOITE

A solidão é como uma chuva. 
Ergue-se do mar ao encontro das noites; 
de planícies distantes e remotas 
sobe ao céu, que sempre a guarda. 
E do céu tomba sobre a cidade. 

Cai como chuva nas horas ambíguas, 
quando todas as vielas se voltam para a manhã 
e quando os corpos, que nada encontraram, 
desiludidos e tristes se separam; 
e quando aqueles que se odeiam 
têm de dormir juntos na mesma cama: 

então, a solidão vai com os rios... 

Rainer Maria Rilke

1 comentário:

  1. Poema frio, sombrio e triste.
    Impossível não lembrar do inverno, pelas imagens que dispara na mente.

    Abçs

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